Loreni Schindel | Galeria XXX Arte Contemporânea

Rasgo titula a série de esculturas da artista Loreni Schindel realizada ao longo de um ano após intensas pesquisas e que será exibida ao público a partir do próximo dia 2 de dezembro na Galeria XXX Arte Contemporânea. A curadoria é de Rogério Carvalho, que acompanhou cada etapa desse processo:
“Na mostra será possível identificar os diversos percursos realizados no centro-oeste brasileiro, onde foram coletados os materiais utilizados. Incríveis cores variadas, que misturadas à saliva dos insetos, apresentam dureza e durabilidade ideais para a escultura.

Além disso, em diálogo constante e evidente com Iole de Freitas, incorpora a malha metálica e o alumínio em suas composições, ora de maneira mista, ora direta. Elementos orgânicos fazem parte de seu imaginário e são inseridos às suas bases acima já definidas. Quando tratamos das delicadezas abordadas em sua manufatura, a fresta por onde o olhar busca aquilo que não é exposto de maneira direta, revela-se como um de seus interesses principais. Rasgos presentes no corpo humano que escondem ou apresentam detalhes de proveito. Obviamente, tocamos nas arestas da sexualidade feminina, suas questões, angústias e na relação da mulher com aquilo que lhe instiga. Dor, medo, sonhos e pesadelos são pano de fundo para encontros com a repugnância e os meandros de uma inusitada combinação. Loreni flerta há anos com a literatura e em especial com contos eróticos. As personagens, muitas vezes identificadas nas obras, fazem parte de seu imaginário, e esse cruzamento, entre literatura e escultura, torna-se presente de maneira indelével”, avalia Rogério Carvalho.

O questionamento da mostra Rasgo é profundo e intrigante. Por meio de sua poética, Loreni revela a identidade feminina da natureza, cuja abordagem temática transcende a compreensão global acerca do feminino, das entranhas, da sexualidade e do dom de gerar vidas.

Rasgo é a mais forte e sincera expressão do caminho percorrido pela artista em busca de significações, da emoção latente, da vida artística e de si mesma enquanto humana e mulher. Os conceitos desta série fazem alusão ao modo de como percorremos nosso caminho, como nos envolvemos neste espaço físico e emocional que tenta unir e harmonizar o universo individual, subjetivo ao universo coletivo, impessoal.

Ao todo são 28 obras de arte esculpidas em metal, papel maché e que recebem coloração natural da terra de cupinzeiro, nas suas mais diferentes tonalidades. A escolha da terra de cupinzeiro na coloração das obras não é aleatória; dialoga diretamente com a temática e inspira a artista na elaboração estética dos caminhos abertos pelos rasgos, na força escultórica dos cupins, uma espécie que, embora visivelmente pequena e frágil, fornece energia física e enzimas fundamentais na produção de alicerces quase indestrutíveis. “Ninguém consegue destruir um cupinzeiro facilmente”, explica a artista.

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