Lin Lima | Portas Vilaseca Galeria

Lin Lima abre sua décima exposição individual com uma inquietante sequência de obras que remetem à mobilidade e imobilidade de nossos dias. Em “100 horas”, a matéria prima é o tempo, aquele que se considera perdido entre as idas e vindas no trânsito de uma grande cidade.

O público poderá conferir o resultado da pesquisa que mescla o caos e o universo onírico das viagens de ônibus entre a cidade de Niterói à Zona Oeste do Rio, em desenhos que fazem referência a pequenos devaneios de Lin durante os cochilos que tirou ao longo de seu percurso. A exibição fica até outubro na Portas Vilaseca Galeria, que acolhe e representa Lin Lima pela segunda vez.

Lin conta que a ideia do novo projeto surgiu quando viu, pela janela do ônibus, um homem, puxando um “burrinho sem rabo”, pedir passagem ao motorista do BRT. “Bem-humorado, o senhor que aparentava ter por volta de 60 anos, sorrindo, pedia uma forcinha para o colega de cargas. Ao sinal do motorista, atravessou correndo com seu carrinho em meio ao caos do trânsito do subúrbio carioca. Poucos minutos depois, em outro sinal, deparei-me com uma academia, onde pessoas mal-humoradas e carrancudas “caminhavam” em suas esteiras, algumas olhando impacientes para o relógio, contando os minutos para sair daquele sofrimento… Esse contraste, aliado ao fato de eu já ter calculado meu tempo mensal de 100 horas em trânsito, levou-me à peça central da exposição, que também dialoga com nosso atual momento político, caduco e polarizado”.

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