Liliane Dardot | Roberto Alban Galeria

As características do solo, as cores da terra, a qualidade do ar, a incidência da luz. Tudo no trabalho da premiada artista mineira Liliane Dardot remete às plantas e à natureza, especialmente à vegetação de Cerrado, que muito a encanta “pela resistência, pela capacidade de se desenvolver nas situações mais adversas”. O resultado dessa jornada de observação e encantamento poderá ser visto na mostra No Oco das Horas.

“Nós somos seres da natureza. Assim como as plantas se transformam e se adaptam ao meio, regulam seus ciclos ao clima, buscam a água nas profundezas, se orientam para a luz, encontram as formas mais diversas para se propagar, nós também dependemos de uma sintonia para sobreviver. A vida contemporânea nos afasta de um contato direto com o meio ambiente em todos os seus aspectos. A consciência ecológica é muito importante”, afirma Liliane Dardot, que recentemente participou da prestigiosa mostra Radical Women: Latin American Art, no Brookling Museum, New York, EUA.

Nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais, Liliane Dardot formou-se pela Escola de Belas Artes da UFMG, mas foi em Pernambuco que começou a construir, a partir de 1978, sua carreira profissional, participando da criação da Oficina Guaianases de Gravura. Ao retornar a Minas, doze anos depois, ampliou a sua presença em mostras coletivas e salões de arte, recebendo diversas premiações nacionais. Iniciou também carreira internacional, participando de bienais em países como México, Colômbia, Inglaterra e Alemanha.

Para a exposição na Roberto Alban Galeria, Liliane Dardot selecionou 12 trabalhos de pintura em grandes formatos. Mas além das telas, a artista inclui também uma instalação denominada ET ERAT NOX, onde, através de uma imersão, pretende propiciar uma alteração na nossa forma corriqueira de vivenciar o tempo, principalmente o que caracteriza o mundo contemporâneo. Trata-se de uma grande coluna suspensa, negra, de 6,20 m de altura, obtida pela articulação de uma sequência de saias que se projeta para o alto do espaço da galeria.  “ Pode- se adentrar por esse volume enigmático e então uma nova dimensão se revela, criada pela luz do grande espaço da galeria sem nenhum outro recurso tecnológico. A relação entre espaço e tempo, a luz e escuridão, o limite e o ilimitado, imagem mental e imagem real, o dentro e o fora e o verso e o reverso se fundem em uma experiência poética”, conceitua.

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