Lilian Camelli | Galeria Estação

Paralelamente à 33° Bienal de São Paulo, a Galeria Estação apresenta a primeira exposição de Lilian Camelli em seu espaço e a quarta individual na carreira da artista. Paraguaia de nascimento e vivendo em São Paulo desde 1983, Lilian Camelli é uma pintora figurativa que iniciou o ofício já adulta, por volta de 2011. Partindo de fotografias ou lembranças, desenvolve pinturas que remetem sobretudo ao universo feminino, retratos de sua família e a outras memórias afetivas. As cerca de 50 pinturas reunidas foram selecionadas pela escritora e crítica de arte Vera Novis, que assina a sua primeira curadoria na Galeria Estação.

Em seu texto para a exposição, Novis argumenta como a figuração está restrita, basicamente, à fotografia e à arte popular, enquanto o abstracionismo domina a pintura contemporânea brasileira. A curadora estabelece um contraponto entre a arte popular e a produção de Lilian Camelli, ressaltando a figuração em si como ponto de convergência.  “Diferente da arte popular, onde o sentido do movimento é do interior para o exterior e o artista olha para fora de si reproduzindo o que vê ao redor no cenário que inclui homem e natureza, a pintura de Lilian é subjetiva, introspectiva, voltada para si mesma”. Já o pintor e professor Paulo Pasta, que acompanha de perto o trabalho de sua aluna Lilian, afirma: “Gosto da expressão e manutenção da subjetividade na sua obra. Terreno esse, hoje, muito difícil”.

A repetição, segundo Novis, é outra característica na obra de Camelli. Determinados objetos ou ambientes estão presentes em várias obras, como se a memória falhasse à ponto de interromper a criação de determinada cena. São nesses casos que, segundo a curadora, “A artista recorre então à repetição como tentativa de burlar essa interdição. E os quartos são repetidos à exaustão. A repetição em si não é um traço negativo no estilo de linguagem. Basta lembrar as recorrentes marinhas de Pancetti, ou as recorrentes bandeirinhas de Volpi, ou, ainda, as recorrentes montanhas mineiras com igrejinhas brancas de Guignard. A repetição obsessiva em Lilian é a afirmação da sua busca, a não aceitação dos limites impostos pela interdição. Então, aqui e ali, surgem, com toda a carga semântica, os espelhos que duplicam os elementos da cena ou trazem para a cena elementos que estavam fora dela. Surgem também os corredores que deixam apenas entrever, muito veladamente, outros espaços, sugerindo um desdobramento infinito. A presença dos espelhos multiplicadores e dos corredores que se desdobram acentua o gesto que revela o desejo de ir além, ao cerne, ao âmago”, completa.

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