Leticia Lopes | Galeria Aura

A Galeria Aura, na Vila Madalena, abre a exposição “A Hora Mágica”, da artista Leticia Lopes, com curadoria de Gabriela Motta. O título da mostra remete a uma expressão usada no cinema e na fotografia para designar aquele momento do nascer ou pôr do sol no qual a luz fica mais difusa e as cores mais saturadas, o que gera uma ambiguidade: uma atmosfera mágica na qual é impossível saber se o dia está começando ou terminando.

A partir de suas observações em relação as narrativas atribuídas às imagens que compõem a história da arte, Letícia Lopes organiza suas próprias imagens-pintura em torno de alguns temas universais identificáveis nessas leituras. Cenas de rituais pré históricos ou de rituais do universo da arte contemporânea, por exemplo, como a performance de Joseph Beuys com seu Coiote, alinham-se numa discussão que aponta justamente para a arbitrariedade das classificações e para a o reconhecimento das manifestações estéticas enquanto linguagem.

Seguindo a mesma lógica de imagens ambíguas, a artista também apresenta a série “Constelações”, que traz telas empilhadas e imagens sobrepostas. Essas pinturas podem ser vistas como nuvens de hidrogênio, poeira cósmica e gases ionizados que se formam a partir de restos de estrelas, universo simbólico que sempre pautou a humanidade em suas buscas cientificas e espirituais. Assim como nos demais trabalhos da exposição, essas pinturas encarnam nossas sempre renovadas – e fracassadas – tentativas de nomear e dar a conhecer o mundo em sua totalidade.

“A intenção é falar que, no fim das contas, continuamos pintando e vendo o que queremos pintar e ver, não necessariamente o que as coisas são, pois não sabemos o que são as coisas nem nada sobre o mundo. As representações são uma maneira de entender que lugar é esse no qual vivemos e quem somos”, explica Leticia Lopes.

Compartilhar: