Laura Vinci | Galeria Nara Roesler

A sede carioca da Galeria Nara Roesler será totalmente ocupada pela instalação “Morro Mundo” de Laura Vinci. A artista paulistana destacou-se no Rio de Janeiro por trabalhos como a surpreendente “chuva de ouro”, um site specific concebido para a rotunda do CCBB, por ocasião da exposição “Ouro – um fio que costura a arte do Brasil” (2014), e por suas elogiadas cenografias. Uma, para “O Duelo”, peça que marcou a volta de Camila Pitanga depois de dez anos aos palcos do teatro (2013), e outra, para “O Idiota” (2011), ambos espetáculos realizados pela Mundana Companhia e encenados no teatro Tom Jobim.

Reconhecida por sua narrativa particular, poética e política, em torno do corpo, do espaço e do efêmero, Laura Vinci apresenta a sua mais recente instalação. “Morro Mundo” vai ocupar a galeria com uma suave massa de fumaça branca e convidar o visitante a experiência de desorientar-se no espaço e reorientar-se no corpo. A sua  máquina programada para soltar fumaça à medida que seus sensores de presença são ativados, revela-se ao espectador pelos tubos de vidro que atravessam todo o espaço expositivo. Diferentemente de outros trabalhos com vapor d’água, como a artista realizou no MuBE e no Beco do Pinto, em São Paulo, nesta instalação o vapor é anunciado antes de se dispersar no ar. Assim os tubos não só anunciam a experiência, como também são vitrines por onde o olho pode captar a fumaça em situação de controle. Depois de expelida, a fumaça domina o espaço, tornando as tubulações quase invisíveis para aquele que assiste à cena ao mesmo tempo que é tragado pela névoa.

A instalação é composta ainda por objetos dourados reluzentes, que pendem nas escoras distribuídas pelo espaço, ativando as noçôes da altura do teto e distância das paredes. “Esses pequenos objetos configuram-se como ampulhetas, bússolas, mapas e outras ferramentas de medição, que podem nos ajudar a seguir viagem”, sugere Laura. As peças carregam pequenas amostras de granada, pedras que, ao simbolizar impulso e a determinação, evocam um desejo de transformação.

“Morro Mundo” é mais um trabalho de Laura Vinci que alude às incertezas dos tempos atuais, ao propor uma experiência  que confunde e esgota em um espaço de silêncio e vazio. Para a artista, pode ser que outra linguagem e outro tempo precisem ser inventados: novas palavras, gestos e formas de ação. O que Laura Vinci propõe em “Morro Mundo” é uma pausa, um deslocamento aos porões da superestrutura, um olhar atento aos processos de transformação: da temperatura e pressão, dos estados da matéria, dos corpos e dos espaços.

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