Laura Freitas | Espaço Cultural Correios Niterói

O Espaço Cultural Correios Niterói recebe “Quando nascer (ou morrer) não é uma escolha”, terceira exposição individual de Laura Freitas. Na mostra, a artista explora as simbologias e apreensões imagéticas do ovo. Ao todo serão expostas cerca de oito obras, entre desenhos, esculturas e pequenas instalações, nas quais desenhos em carvão sobre papéis rasgados e costurados com linha de algodão se unem a cascas de ovo quebradas e reconstruídas com atadura gessada e costura. Há, ainda, a série recente “Tu és pó”, na qual a artista quebra o carvão negro e as cascas de ovos brancos até virarem pó. A exposição tem inauguração aberta ao público no dia 17 de agosto, às 15h, e segue em cartaz até 19 de outubro.

Laura Freitas, que vive e trabalha em Niterói, possui longa trajetória em costura através da produção autoral de roupas femininas e, desde 2013, vem se dedicando integralmente à produção artística. Em seu trabalho, ela investiga as diversas possibilidades do tecer como um fazer que liga, dá forma e corpo; um fazer que sutura, prende e liberta. Em seu processo artístico, a linha e a agulha não se limitam ao tecido, desafiam matérias rígidas e/ou frágeis, percorrendo diferentes caminhos. O ovo tem sido uma matéria reincidente em seus trabalhos em propostas de reflexão sobre nascimento-vida-morte, sobre a
vulnerabilidade, a fragilidade, erros e imperfeições, sobre proteção e correr riscos.

“Há um constante destruir e reconstruir, que melancolicamente persisto como tentativa de preservação, no refazer das cascas através de gesso, ataduras, agulha e linha. Os desenhos aparecem como esboços das possibilidades de caminhos e aberturas”, diz a artista. De acordo com a curadora Fernanda Pequeno, “nos trabalhos de Laura, as vulnerabilidades do ovo são exploradas, assim como seu caráter de abrigo e proteção, mas também de ameaça. Afinal, viver é pisar em ovos o tempo inteiro”.

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