Lançamento Livro Sonia Gomes | Mendes Wood DM

Com ensaios dos curadores Solange Farkas e Ricardo Sardenberg, e texto do artista Paulo Nazareth (no qual faz um perfil poético de Sonia e uma visita ao tempo através do trabalho da artista), o livro reúne obras produzidas entre 2004 e 2016. Em 2015, Sonia foi a única brasileira a participar da Bienal de Veneza. “A arte de Sonia Gomes amarra movimentos e tradições culturais que, de uma forma ou de outra, se relacionam à afirmação da memória, da identidade e do poder transformador da criação frente a situações de vulnerabilidade e invisibilidade. Pela própria natureza, remete à arte feminina da costura, que produziu um legado incomensurável — e, ainda assim, anônimo — de tramas, urdiduras e desenhos, obras de arte usáveis que vestiram e vestem corpos e casas de civilizações inteiras”, escreve Solange Farkas.

A infância de Sonia Gomes, filha de mãe negra e pai branco, foi dividida entre a casa da avó e do pai, após a morte precoce da mãe. A conexão com os tecidos vem desde essa época, em Caetanópolis, cidade próxima à capital mineira que nasceu e cresceu em torno da Companhia de Fiação e tecidos Cedro e Cachoeira, primeira fábrica de tecidos do estado e segunda do Brasil. Com a avó — mulher negra, benzedeira e parteira — aprendeu tudo sobre os rudimentos da costura. Depois, vivendo com a família do pai num ambiente abastado, conheceria a face europeia da artesania têxtil, nos bordados da Ilha da Madeira, Richelieu, além do convívio com uma grande biblioteca.

Formada em direito, Sonia se considerava uma artesã até descobrir que não gostava de repetições, e almejava trabalhar com o que fugisse ao comum. Entrou na Escola Guignard, da UEMG, e se descobriu artista. “Não tenho a menor dúvida de que esse interesse pelos tecidos e suas histórias nasceu em mim”, declara. “Depois, fui absorvendo o que ia observando no mundo. A cultura africana está inconscientemente no meu trabalho, deixo ela vir. Acho que minha obra transita bem entre as culturas popular e erudita, gosto de pensar que ela transita bem em todos os lugares”, acrescenta Sônia.

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