René Machado | Casa de Cultura Laura Alvim

René Machado dilui as fronteiras entre obras de cunho figurativo e de raiz abstrata

Esta exposição de René Machado, na Casa de Cultura Laura Alvim, um espaço da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa/FUNARJ, apresenta um conjunto de obras recentes intituladas pelo próprio artista de “LabUTA”, com curadoria de Vanda Klabin.

O artista revisita suas origens profissionais como publicitário, incorporando-as à imagética variada e viva da arte urbana e às possibilidades artísticas em torno da “pintura abstrata” na atualidade. Apresenta de forma imponderável a força estética das ruas, do grafite, da street art, da pop art com o impulso de pinceladas neoexpressionistas. Explora a idéia do efêmero a partir das inúmeras sobreposições de camadas de elementos.

René lança mão da serigrafia como marca da era industrial, da reprodutibilidade, do desgaste da imagem, ampliações, imagens repetidas que lembram anúncios nos muros da cidade, sobrepostos com traços de spray, e inúmeras camadas de tintas. “Parte do processo envolve: fotografia, digitalização, impressão, serigrafia, ampliação e tratamento de imagens para impressões pictóricas em grandes suportes e inclusão de uma série de camadas. O trabalho sofre interferências de diferentes técnicas: óleo, acrílica, esmalte sintético, carvão e spray”, cita o artista.

O resultado despretensioso do trabalho de René também advém da “action painting”, seu traço descompromissado, as pinceladas livres, o gesto solto – oriundos de seu estilo que dispensa afetação.

Nesta exposição, algumas explorações mais sóbrias do verde, do azul – outras mais radicais, trazem o rosa e laranja neon da década de 90, entrepostas pela radicalidade dos pretos, explorados pelo carvão, spray, e esmalte sintético.

De acordo com a curadora Vanda Klabin, o deslizamento de gestos é um processo de articular diferentes modos de ver, “Os campos picturais permeados por vibrantes contrastes, harmonias dissonantes, grumos espessos e alta voltagem cromática, têm uma conotação ambígua. A cor é o seu veículo expressivo e compatibiliza elementos díspares e dissonantes na estruturação da tela.” Diz Vanda.

Uma parte das obras se inspira no que René chama de “Frequência Morelenbaum”, as últimas inspirações vieram da sonoridade de composições do álbum Central do Brasil de Jacques Morelenbaum e Antonio Pinto, “Sempre que ouvia esse álbum, tinha vontade de decifrar as composições através de gestos, então produzi 3 obras no ritmo delas”. Revela o artista.

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