La Isla Concreta | Dan Galeria

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Os momentos de abertura política trazem ao mundo novas possibilidades de diálogo e conhecimento. Foi assim com o fim da União Soviética e a queda do Muro de Berlim, que permitiu a dois mundos distintos estabelecerem contato com suas culturas. E assim é, agora, com a abertura de Cuba para o mundo, como o público poderá ver, a partir de 2 de setembro, na Dan Galeria, na mostra La Isla Concreta, que reúne, pela primeira vez no Brasil, 31 obras de 11 mestres do concretismo cubano. Com curadoria de Osbel Suarez, que foi curador do Reina Sofia, a mostra contará, na abertura, com o lançamento do livro La Isla Concreta, narrando a trajetória do movimento artístico em Cuba e dos artistas que dele participaram, muitos dos quais presentes nas sete primeiras Bienais de Arte de São Paulo.

O movimento
Influenciados pela experiência do concretismo europeu e sul-americano, o movimento artístico na ilha, marcado pela pureza das formas e pela exatidão do contorno, teve origem nos anos 1950 e nasceu como reflexo de um mundo caótico – ali especificamente sufocado pelo governo ditatorial de Fulgêncio Batista Zaldívar, posteriormente deposto pela Revolução Cubana, em 1959.

Em 1955, o artista Luiz Martínez Pedro expôs, junto com Sandu Darie, pintor e crítico de arte romeno naturalizado em Cuba, no pavilhão de Ciências Sociais da Universidad de La Habana, evento que ficaria conhecido como a Primera exposición concreta. Marco fundador do movimento na Ilha, a exposição apontava para um perfil abstrato-geométrico e não-figurativo, marcados pela recorrente utilização de formas abstratas, com ritmo cromático e linear, que se opunha radicalmente às representações pictóricas que até então definiam a cubanidade nas artes plásticas.

Ao seu lado, Martínez Pedro e Darie tinham Dolores (Loló) Soldevilla, Salvador Corratgé, Rafael Soriano, José Mijares, Wifredo Arcay, Alberto Menocal, Pedro Álvarez, Pedro de Oraá e José Rosabal. Juntos, eles formavam o grupo Diez Pintores Concretos – Rosabal incorporou-se ao grupo em 1960, cerca de dois anos após a sua concepção, em substituição a Pedro Álvarez -, que estarão expostos na mostra.

“(…) a arte é cada vez mais abstrata. E não somente em Paris, mas no mundo todo. A pintura e a escultura tendem, certamente, a se aproximar da arquitetura moderna… esse é o desejo do estilo da nossa época, que por sua vez tende à organização das formas essenciais (…). E é por isso que a atual corrente artística chamada Arte Concreta vai se reforçando cada vez mais, sobressaindo-se ao caos e vaticinando a reconstrução e a ordem vindoura. Trata-se de uma tendência baseada em conceitos plásticos equilibrados e organizados, cujos precursores podemos dizer que foram Mondrian e Van Doesburg (…)”, afirmou, durante uma entrevista, Luis Martínez Pedro, um dos expoentes cubanos do concretismo da ilha.

Com a radicalização da Revolução de 1959, que cerceou a liberdade de expressão e a criação artística em Cuba, o movimento – apesar de sua força criativa – começou a perder força, sendo resgatado agora.

As informações contidas na agenda são de responsabilidade dos museus e galerias e não representam a opinião da Dasartes.

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