Katia Wille | Galeria VilaNova

A Galeria VilaNova inaugura “Mas Afinal: Quem Tem Medo de Tamanha Liberdade?”, da artista visual Katia Wille, com curadoria de Bianca Boeckel. Entre pinturas e objetos em porcelana e vitrificados que perfazem as 20 obras exibidas, o conceito da evolução humana é discutido pelo viés da personagem mulher, levantando reflexões sobre o que fazer em vista da adversidade. “Nos paralisamos ou nos tornamos protagonistas da nossa própria evolução?”

Inspirada essencialmente no poder feminino, Katia Wille apresenta uma série inédita de trabalhos que demonstram a constante ação no sentido da afirmação feminina, do não silenciamento de emoções e do direito de ser ativa e responsável por sua própria vida. “Estamos vivendo um momento crítico mundial de censura à classe artística, mais ainda em relação às mulheres artistas, ao corpo e à liberdade de expressão. Achei pertinente começar a exposição com o mosaico de mulheres sendo silenciadas, seguido de várias cenas de movimento e cor”, comenta. As obras deste segundo momento retratam nadadoras, que saltam rumo ao vazio, se entrelaçam e dançam em atitude de afirmação. “Agora elas são as responsáveis pelo seu corpo e escolhas e só elas mesmas estão no caminho da sua própria liberdade.”

A série é derivada do poema feito por Katia Wille e que leva o mesmo título da exposição, o qual narra o momento de um corpo feminino em queda livre e todas as sensações de se sentir fora do próprio corpo, fora da sua própria identidade. Apesar de se sentir fascinada pela leveza de estar  ao sabor da gravidade, a personagem se dá conta de que aquela ação pode ser fatal e resolve girar em torno do seu próprio eixo, caindo em pé e assim assumindo o protagonismo da própria existência. Com o tema proposto, a artista realiza estudos que originam as primeiras peças, sendo tudo documentado em um diário – as emoções, os pensamentos, novas técnicas. Nesta série, a gama de cores  utilizada tem objetivo de marcar as etapas distintas do poema: do silenciamento à queda, a dança em torno do eixo e a retomada do protagonismo. “O espectador então é envolvido em uma dança de cor e movimento, em uma relação quase simbiótica entre figura e fundo.”

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