Juliana Borzino e Stella Margarita | Galeria de Arte Ibeu

A Galeria de Arte Ibeu se despede de Novíssimos 2018 e dá lugar a duas exposições simultâneas: “olho d’água” e “Antebraços”, de Juliana Borzino e Stella Margarita, artistas premiadas pela Comissão Cultural do Ibeu pelos melhores trabalhos no Salão de Artes Visuais do ano passado. As mostras têm curadoria de Cesar Kiraly.

Em “olho d’água”, Juliana Borzino apresenta uma montagem de fragmentos que formam constelações através de colagens, fotografias e vídeo. Imagem e escrita se encontram em encruzilhadas e buscas quase arqueológicas entre memória, corpo, imaginação e sonho. São tentativas de movimentar e criar dinâmicas que visam transformar leituras fixas normativas e documentais em reinvenções da linguagem.

“A artista apresenta atlas de colagens em que, com recortes, frases e fitas adesivas, desenvolve fascinante pesquisa sobre a matéria onírica recolhida no seu dia a dia. As paredes são tomadas por tais pequenos pedaços de papel que acabam por formar juntos um grande sonho”, comenta Cesar Kiraly.

“Além disso, é apresentado um vídeo incessante de ondas em dobras chegando à praia. As imagens do olho e do umbigo do sonho se complementam com fonte interpretativa para o que poderia ser dito uma boreal de momentos da percepção profunda”, completa o curador.

A uruguaia Stella Margarita tem seu trabalho permeado pela “anonimização” dos corpos e espaços pintados, na mostra “Antebraços”. Com raras exceções, os rostos aparecem apagados, flagrados em ângulos irreconhecíveis, ou nem mesmo aparecem, ainda que a figura humana se mantenha onipresente.  Os espaços também se mostram indefinidos. No entanto, apagar as identidades das pessoas não significa um tratamento puramente formal das pinturas, pois a dimensão humana permanece central nas obras da artista.

“Considero como central a influência de Anne Imhof e suas performances que falam das diferentes dimensões do poder e resistência dos corpos. Uma questão central em meus trabalhos é conseguir captar forças, forças essas que movem o ser humano: ao controle externo, ao trabalhar, ao amar, à morte ou a seu oposto, o cuidado”, analisa Stella Margarita.

“Ao apagamento das identidades e geografias, contraponho uma exuberância no uso das cores, modo pelo qual enfatizo estas forças em ação. Nas imagens retratadas são apresentadas cenas de controle e violência, os personagens se mostram plácidos, como se absorvessem resignadamente as exigências de resistir ou a necessidade de cuidar”, finaliza a artista.

Segundo o curador, Stella aborda dinâmicas corporais que estão entre o cotidiano e o drama. “Estas telas consistem em figuras humanas de indumentária atemporal, sem fundo reconhecível, que perseguem a identificação da dor, sem a disposição de as tornar ainda mais intensas. São performances da intimidade entre pessoas em momentos de liberdade”,  avalia Kiraly.

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