Josef Hofer | Galeria Estação

Josef Hofer (1945, em Wegscheid, Bavária), hoje considerado um “clássico” da Art Brut, tem sua obra conhecida na Áustria, Alemanha, França, Mônaco, Holanda, Bélgica, Inglaterra, Suécia, Dinamarca, Itália, Espanha, Portugal, Polônia, República Checa, Eslováquia, Estados Unidos, Japão e agora no Brasil. Difícil imaginar como artista chegou hoje aos seus 74 anos diante de tantas dificuldades. Começou com seu nascimento, em março de 1945, quando, até agosto do mesmo ano, esteve em vigência na Alemanha a Lei para Proteção da Saúde Genética do Povo Alemão, que exigia a médicos e parteiras o relato imediato do nascimento de uma criança com deficiência. As consequências eram a morte do recém-nascido e a esterilização pelo menos da mãe. Embora suas características físicas divergentes fossem visíveis desde o início, nada foi informado às autoridades de saúde.

Mais tarde, isolado com a família em uma fazenda, também com problemas de audição causados pelas inúmeras infeções de ouvido que acabaram afetando também a fala, não pode frequentar a escola, como seu irmão mais velho. Este, mesmo com deficiência intelectual, trazia para casa lápis e tocos de lápis de cor com os quais Hofer costumava desenhar sobre uma folha de jornal.

Com a morte do pai, Hofer foi levado pela mãe para Kirchschlag, perto de Linz, onde ficou sob a guarda de uma sobrinha. Desde 1992 vive em Lebenshilfe em Ried im Innkreis. Lebenshilfe,organização social para pessoas com deficiências físicas e intelectuais, onde conheceu a historiadora de arte Elisabeth Telsnig, em 1977. “Cerca de trinta pessoas participavam de meu ateliê, entre elas Josef, e notei de imediato seus desenhos. Eles eram diferentes de qualquer coisa que eu já tinha visto”, afirma Telsnig.

“Como não pode ouvir nem se fazer entender verbalmente, Josef Hofer se comunica com o mundo exterior por meio de sua arte. Está envolvido criativamente consigo mesmo e com seu corpo e, assim como no modo como está envolvido com seu reflexo no espelho, ele se envolve igualmente com as posturas e posições do corpo representado, e supera, ou até mesmo triunfa sobre sua deficiência através dos corpos que desenha”, completa.

Compartilhar: