José Damasceno | MAM Rio

O MAM Rio inaugura “Programa Solo – José Damasceno”, com curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes. A mostra é a primeira do Programa Solo, em que o Museu realiza individuais de artistas brasileiros com obras pertencentes as suas coleções.  De José Damasceno, artista carioca nascido em 1968, com reconhecimento no circuito nacional e internacional da arte, serão mostradas sete obras, entre elas “Cartograma” (2000), uma estrutura de linhas de metal apoiada em nove compassos que “revela o interesse do artista pelo espaço real e nos chama a atenção para sua dimensão móvel, instável, com o equilíbrio frágil que articula as peças e sustenta o objeto”, apontam os curadores. Estará também na mostra a obra “Elemento cifrado subitamente revelado” (1998), composta por estantes para partitura.

Desenhos a nanquim, hidrocor e esferográfica sobre papel, dos anos 1990, integram a mostra, assim como a litografia “Sem Título” (1987), considerada pelo artista o ponto de partida de seu trabalho, quando ainda era estudante da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. O trabalho “já anuncia o estranhamento como um dos procedimentos que vai acompanhar seu trabalho até os dias de hoje. Aqui somos colocados diante de um conjunto de figuras de aspecto quase primitivo, algo raro na sua produção, que se misturam e se atravessam. Um desenho que deixa de lado ideias como estudo, preparação, escala, em favor da noção de autonomia”, dizem os curadores.

“Na produção de Damasceno tem algo do desenho que não se realiza como objeto, assim como há algo do objeto que não se captura como desenho”, observam Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes. “Como artista, ele constrói objetos e instalações que se interessam pelos limites da forma escultórica com materiais industriais, como a estopa, a madeira, o concreto e o alumínio, que ganham novo significado”. Eles afirmam ainda que a poética do artista “envolve questões de superfície e profundidade, de solidez e gravidade. Isso não só nas peças tridimensionais, mas também no desenho, encarado pelo artista como local possível para simular, modelizar e inventar”.

“Reunir essas obras é revelar ao público questões como essas que se reconfiguram ao longo do tempo na produção de José Damasceno, e também celebrar sua presença em nosso acervo e sua contribuição para a leitura desse imenso conjunto de obras e artistas”.

 

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