Jorge Mayet | Galeria Inox

A Galeria Inox inaugura a exposição “UN ETERNO VIAJE” do cubano Jorge Mayet com obras produzidas especialmente para a mostra. “Teremos uma escultura de Ceiba e uma instalação composta por seis Bohíos que serão vendidos separadamente. “Pela primeira vez vamos expor esculturas do Bohío”, diz Guilherme Carneiro, sócio da Inox.

Radicado na Espanha, o artista plástico traz em suas obras a nostalgia de sua terra natal. Não apenas o sentimento da perda, mas a idealização do que ficou para trás. Na memória afetiva, as lembranças negativas vão se diluindo, tanto pelo distanciamento físico quanto temporal. Seu trabalho reflete a experiência do imigrante, da perda, esperança, recuperação e culpa. “A terra tem uma grande importância, tanto física quanto espiritual para o meu povo. O que nos envolveu espiritual, cultural e mentalmente é a bagagem que nos acompanha pelo resto da vida, como as paisagens que deixamos para trás, permanecem vivas na memória”, afirma Mayet.

O Bohío é uma típica casa do camponês cubano feita a partir dos troncos e das folhas de palmeira real. “É uma casa que representa a arquitetura rural típica de Cuba, de quem não tinha dinheiro para construir. Do tronco da palmeira são feitas as paredes e das folhas, o telhado”, explica Mayet. Nessa instalação, seis bohíos com asas e raízes estarão pendurados por uma fina corda de nylon, como se estivessem decolando uma ilha que simula uma pista de aeroporto. “É um pouco como eu me sinto até hoje. Para levantar voo, tive que arrancar minhas raízes, ir embora de Cuba”, conta Mayet.

A Ceiba é uma árvore muito popular em Cuba, cujo o exemplar mais famoso do país estava localizado há mais de 50 anos em uma praça chamada El Templete, onde nasceu Havana. Era um marco na cidade. Segundo Jorge, essa Ceiba, a cada 16 de novembro, era rodado três vezes no sentido anti-horário. É abraçada ou tocada ao mesmo tempo que os desejos são solicitados. É uma árvore sagrada, uma árvore Deus: Iroko de acordo com a religião Iorubá. Acredita-se que o destino, a saúde e o desenvolvimento na vida dependerão da ceiba, porque em suas folhas vivem entidades e espíritos. O costume de venerar esta árvore foi trazido a Cuba pelos africanos. Mas os povos originais já o tinham. Os maias plantaram uma ceiba no centro de suas comunidades e, sob sua folhagem, celebraram os ritos sagrados. Independentemente da religião praticada, para os cubanos simboliza vida, perpetuidade, grandeza, bondade, beleza, força e união.

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