Jordi Burch | Fundação Iberê Camargo

Para dar continuidade às comemorações dos 10 anos de construção de seu edifício sede em Porto Alegre/RS, a Fundação Iberê Camargo apresenta a exposição As Durações do Rastro – A fotografia de Jordi Burch frente à arquitetura de Àlvaro Siza Vieira, do fotógrafo português Jordi Burch. Com curadoria de Veronica Stigger, a exposição traz uma série de imagens que registram quatro conjuntos habitacionais da Europa projetados pelo arquiteto português Álvaro Siza – também autor do premiado projeto arquitetônico da Fundação Iberê Camargo.

Formada por 40 imagens, a série se originou de um convite que o artista recebeu para participar da Bienal de Arquitetura de Veneza de 2016, no pavilhão de Portugal dedicado a Siza. A ideia era levar Burch e uma equipe de cinegrafistas para acompanhar a visita do arquiteto a conjuntos habitacionais projetados por ele, depois de muitos anos sem rever essas obras: no Bairro da Bouça (Porto/Portugal, 1973), no Campo di Marte, na Giudecca (Veneza/Itália, 1983), em Kreuzberger (edifício Bonjour Tristesse, Berlim/Alemanha, 1984), e no Schilderswijk West (Haia/Holanda, 1985).

O projeto – que na Bienal se intitulava Neighbourhood – Where Alvaro meets Aldo – levou Burch ao desenvolvimento de um trabalho que foi muito além do registro dos conjuntos habitacionais e de seus moradores. Como o novo título sugere, o fotógrafo explorou os rastros, as marcas e as impressões deixadas pela passagem do tempo na arquitetura de Siza. Convivendo com diferentes residentes, arquiteto e fotógrafo observaram a evolução dos habitats de antigos e novos moradores e as principais transformações sociais e urbanas ali ocorridas: processos de imigração, guetização, gentrificação e turistificação.

Em muitas fotografias da série, Burch se detém nos moradores e nos detalhes de cada habitação. “A atenção ao detalhe pode nos ajudar a entender aquilo que atravessa o homem, a casa, a história, o tempo”, explica o fotógrafo.  Segundo a curadora Veronica Stigger, a exposição não apresenta as fotografias divididas didaticamente por locais, mas “por afinidades de temas, formas e imagens que elas trazem, misturando os bairros, as gentes e as cidades”.

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