Joe Seiler e Leonora Weissmann | Martha Pagy Escritório de Arte

Em sua produção os dois artistas, embora por meio de técnica e de conceitos diversos, privilegiam a pintura, as superfícies pictóricas, a luz, a cor, o gesto.

Joe Seiler exibe obras feitas com canetas esferográficas em diversas cores. “…Numa dinâmica incessante transfere toda a tinta da caneta para o papel até esgotá-la. Uma depois da outra. Esse depósito de tinta faz com que o papel se sature transformando suas linhas, riscos e traços em pinceladas.”(Franklin Espath Pedroso)
Em suas palavras, Joe define a nova serie: “A Cor da Luz reúne trabalhos feitos ao longo do último ano em Londres. Uma continuação da serie em Bic, uma exploração da interação das cores com referências no espectro da luz visível e no padrão de impressão CMYK. O resultado são composições abstratas com os tons kitsch das canetas.”

Leonora Weissmann fala de sua produção: “Em meu processo as imagens surgem a partir de necessidades nem sempre claras a princípio, mas logo estabeleço uma rede de conexões que formam algum eixo. A primeira pintura desse recorte, intitulado posteriormente ‘A pequena idade do gelo’, surgiu na exposição Estranho Mundo Próximo.
Trata-se de uma fase, ou momento que creio ser a pequena idade do gelo de minha própria pintura. A pintura tem os seus períodos, necessidades e, porque não, climas.
A paisagem de neve me fascina desde a infância quando via os quadros de Peter Bruegel o Velho, em especial ‘Os caçadores na neve’ e ‘Paisagem de Inverno com patinadores e armadilha para pássaros’. Naturalmente são imagens instigantes, por serem cenas de neve cheias de crianças, por possuírem uma estranheza hipnótica com seus mil detalhes e simbolismos.
Além das questões simbólicas e inconscientes que me levaram a pintar essas imagens, o branco em contraste com o preto, o recorte que a luz clara da neve gera nas composições fazem os elementos como galhos, pedras, pássaros e pessoas virarem linhas e silhuetas sobre a tela, como um desenho. A pintura torna-se mais gráfica. É fascinante.
As figuras, em sua maior parte crianças, em minha ‘pequena idade do gelo’ parecem, em algum momento, astronautas em um planeta desconhecido, explorando a paisagem, a superfície, buscando constantemente algo que não se apresenta.
Elas apontam para caminhos possíveis.

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