Janaina Tschäpe | Galeria/Galpão Fortes Vilaça

© Divulgação

“Pássaro que me engoliu”, é a sexta exposição de Janaina Tschäpe em São Paulo, ocupando simultaneamente os espaços expositivos da Galeria e do Galpão. A artista teuto-­brasileira, baseada em Nova Iorque há 18 anos, apresenta um novo corpo de trabalho que compreende pinturas, fotografias e obras sobre papel, todas inéditas aqui.

Nessas obras em exposição, Janaina imprime características marcantes e periódicas de sua pesquisa, como a gestualidade intensa no processo da pintura e a composição escultórica das formas que habitam suas fotografias. O resultado é a formação deuma mitologia particular que alterna a presença de personagens fantásticas com a ambientação pictórica de uma natureza interior. A obra de Janaína sugere narrativas originais ao mesmo tempo em que remete às referências formais da História da Arte.

As sete fotografias apresentadas na Galeria compõem a série Dormant, realizada em 2015 durante residência artística nos mares da Oceania, através da instituição TBA21 (Thyssen-­Bornemisza Art Contemporary). São imagens de personagens aquáticas, análogas à recorrente prática da artista de constituir um corpo feminino surreal. Aqui, seres longilíneos e ambíguos flutuam no vasto elemento líquido do oceano. A artista toma como referência as águas-­vivas Turritopsis nutricula, espécime marítima imortal que tem a capacidade de rejuvenescer diante do perigo, aludindo às ideias de regeneração e reprodução ao repetir certas formas pontiagudas e elementos fibrosos na constituição destes corpos anfíbios. O resultado são imagens que operam entre o objetivo e o subjetivo, entre a teatralidade e a natureza.

Assim como nas fotografias, as pinturas exibidas no Galpão dispõem do líquido para tratar do movimento gestual livre e quase incontrolável, aqui representado pela fluidez da tinta sobre a tela. Os sugestivos títulos – Your Ghost in Me [Seu Fantasma em Mim], Treffen Im Wald [Encontro na Floresta] – revelam que a memória visual e afetiva da artista é a força primária que impulsiona a composição das pinturas. Com ressonâncias do Romantismo Alemão ao Expressionismo Abstrato, do Fauvismo ao Modernismo, esse processo mórfico se desdobra em uma surpreendente maturidade compositiva e uma audaciosa variação cromática que a artista comanda com maestria. A expressividade visceral e apaixonada do gesto ganha peso com uma paleta de cores fortes, contrabalanceadas por tons mais leves, e com a sobreposição de linhas rítmicas de desenho sobre as pinceladas.

Em Fruta (Früchte Tragen), a maior pintura da exposição, Janaina nos serve de contrastantes vermelhos e azuis entre meados por desenvoltos desenhos a lápis, que ora remetem a plantas aquáticas, ora a folhagem. Já a pintura que empresta seu título à exposição, Pássaro (Der Mich Aufgefressen Hat), é carregada de um exotismo frenético e ainda assim algo natural.

Janaina Tschäpe nasceu em Munique, Alemanha, em 1973. Vive e trabalha em Nova York. Entre suas exposições individuais recentes destacam-­‐se: Floating Words, Museum of Contemporary Art Tucson (Tucson, EUA, 2014); Kasama Nichido Museum of Art (Kasama, Japão, 2009); Chimera,Irish Museum of Modern Art (Dublin, Irlanda, 2008). Sua obra está em importantes coleções tais como: 21st Century Museum of Contemporary of Art (Kanazawa, Japão), Centre Pompidou (Paris, França), Inhotim (Brumadinho, Brasil), MAM Rio de Janeiro (Brasil), Moderna Museet (Estocolmo, Suécia), Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (Madri, Espanha), Solomon R. Guggenheim Museum (Nova York, EUA), TBA21 (Viena, Áustria), entre ou

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