Ivan Grilo | Luciana Caravello Arte Contemporânea

© Divulgação

Com 12 obras inéditas, Ivan Grilo inaugura na Luciana Caravello Arte Contemporânea, a exposição “Preciso te contar sobre amanhã”.

Logo ao entrar na Galeria, o visitante vai se deparar com duas placas – uma virada para quem entra, e outra para quem sai: “como se a exposição tivesse algo a falar para o mundo, e o mundo tivesse algo para contar à exposição”, explica o artista.

A exposição não tem a pretensão de prever o futuro, mas quer apontar as possibilidades que podemos seguir. Ivan quer falar de encontro, de quando você liga para uma pessoa querida e diz que precisa falar sobre como vai ser o dia seguinte, o dia que vocês vão se encontrar.

“Talvez não seja mais o momento de ficar apenas olhando todas as chagas da nossa história, e não pensarmos no que vem depois de hoje. Talvez seja o momento de imaginar as novas direções, e não somente, mas apontar as pequenas vitórias do passado, de gente, como Dandara e Chico Rei, que já começaram a criação desse novo mundo, que há de chegar. Está chegando”, diz.

Chico Rei, um rei que veio escravizado do Congo e conseguiu comprar sua alforria e a de muitos outros com o ouro que tirava escondido em seu cabelo da mina de Ouro Preto, onde trabalhava e voltou a ser coroado. Nesse trabalho é usada em uma foto, onde Ivan pintou pontinhos dourados, como se fossem as estrelas da Bandeira Nacional no céu do Rio de Janeiro em 1889.

Mas o que interessa ao artista é a constelação Cruzeiro do Sul, utilizada como orientação no hemisfério sul, além da bandeira branca, que no ocidente é facilmente associada a paz, mas para os povos antigos, ainda nômades, principalmente em Angola, mostrava o destino que deveriam seguir. Ao fincá-la na terra, para onde ela apontasse era a direção que deveriam seguir. “A bandeira branca há de nos apontar a nova direção”.
Há também uma instalação dedicada às heroínas que pensaram a liberdade, as heroínas que não são um pó branco. São exatamente o contrário.

Ivan quer que se abram portas e janelas e deixe que o tempo mostre a direção a seguir. E, numa proposta para se voltar à terra, ele plantou uma horta nos jardins da Galeria, em um “paisagismo comestível”. Tem berinjela, almeirão roxo, tomate, funcho, abobrinha e capuchinha. “No metro quadrado mais caro da cidade, vamos gerar comestíveis e não apenas especulação”, diz.

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