Isabelle Borges | Roberto Alban Galeria

A efervescente cena da cidade de Berlin, na Alemanha, que vive um momento especial em produção e criatividade, juntam-se à inquietude da artista visual baiana Isabelle Borges em uma reflexão sobre tempo e espaço, explorando diversos conceitos e expressões artísticas. O resultado está na mostra “L’espace indicible – O espaço inefável”, que será apresentada na Roberto Alban Galeria, em Ondina. Trata-se da primeira grande exposição da artista em sua terra natal, apesar do reconhecimento ao seu trabalho já alcançar a esfera internacional.

O conceito de “espaço inefável”, que ocupa um lugar central na teoria arquitetônica de Le Corbusier, tem exercido uma influência considerável na produção de Isabelle Borges. O seu trabalho vem se desdobrando de forma a ocupar as paredes, os cômodos, o teto, a galeria, as residências. São trabalhos projetados para o espaço onde habitam e onde não há mais os limites das disciplinas de arquitetura, desenho, pintura, escultura e nem os limites das telas ou colagens e desenhos. A obra de Borges finalmente aboliu as bordas. Além das telas, Isabelle explora também as paredes como parte da sua arte. Ela explica que vê a obra como o fragmento de um todo. “Ao ter o espaço como foco de pesquisa, é quase como um desenvolvimento lógico o trabalho ‘vazar’ para o espaço real da parede”, diz. “Como realizo muitos desenhos usando linhas, planos e recortes de papel, vejo a parede como uma extensão da pintura ou mesmo como um suporte em si”, finaliza.

Outras peças vão igualmente refletir reflexões artísticas quanto às linhas espaciais, seus limites e ressignificações, e suas conexões com os diversos segmentos da arte contemporânea: da pintura à escultura, do desenho à colagem, do objeto à instalação.

Para a estudiosa e critica de arte Paula Terra-Neale, que apresenta a mostra, a obra de Isabelle Borges tem uma linguagem muito pessoal, ainda que em sua universalidade geométrica e abstrata. “Ela está encontrando esse equilíbrio do espaço inefável através do desenho que extrapola as bordas e sai para as paredes, através da poesia luminosa que se constrói no jogo das cores que despontam mansamente aqui e ali contra as faixas pretas ou dos planos brancos e vazios”, afirma Paula, que é Doutora em História e Teoria da Arte pela Universidade de Essex, Reino Unido, e consultora e curadora independente radicada na Inglaterra.

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