Implosão: Trans(relacion)ando Hubert Fichte | Museu de Arte Moderna da Bahia

Fichte gostava de sexo. E gostava de viajar. Gostava particularmente do Brasil e dos brasileiros. Um dos maiores autores cults alemães, poeta maldito e cronista do submundo de Hamburgo, Hubert Fichte (1935-86) ganha exposições de arte e edições de sua obra em diversos países. Um grande projeto internacional, concebido por Anselm Franke e Diedrich Diederichsen, lançado na Alemanha pela Haus der Kulturen der Welt (HKW) em parceria com o Goethe-Institut, leva o legado de Fichte às cidades que ele visitou e sobre as quais escrevia: Lisboa, Salvador, Rio de Janeiro, Dakar, Nova Iorque, Santiago do Chile, entre outras. No Brasil, a mostra “Implosão: Trans(relacion)ando Hubert Fichte”, com curadoria do filósofo Max Jorge Hinderer Cruz e do artista Amilcar Packer, será aberta na capital baiana  no Museu de Arte Moderna da Bahia. Será lançado um dos livros seminais para compreensão do trabalho do autor, “Explosão. Romance da Etnologia”, com tradução para o português de Marcelo Backes e selo da editora Hedra. “Explosão” também será lançado em São Paulo, em 28 de novembro, no Goethe-Institut, seguido de pocket show com o compositor e instrumentista Negro Leo e participação do artista alemão Diedrich Diederichsen.

A mostra “Implosão: Trans(relacion)ando Hubert Fichte” reúne trabalhos de artistas contemporâneos, principalmente brasileiros, convidados a incursionar no universo de Fichte, desdobrando-o em criações inéditas ao lado de trabalhos históricos. A exposição propõe um questionamento sobre os olhares, posições, preconceitos e lugares de fala do poeta libertário alemão, judeu, homossexual, que procurou no Brasil novas alianças minoritárias, tanto nos terreiros quanto nos banheiros públicos. Participam Ayrson Heráclito (BA), Coletivo Bonobando (RJ), Letícia Barreto (SP), Michelle Mattiuzzi (SP/BA), Negro Leo (MA), Pan African Space Station (África do Sul) e Rodrigo Bueno (SP). Além disso, a mostra apresentará instalações e obras de arquivo que se alinham com o próprio olhar de Fichte em seu contexto histórico, assinadas por Hélio Oiticica, Leonore Mau e Alair Gomes.

Juntamente à edição do livro de Fichte em português, será também lançada uma publicação de título homônimo à exposição, editada por meio de uma colaboração entre a dupla de curadores da mostra e a pesquisadora Cíntia Guedes. São reunidos textos, conversas e entrevistas com alguns dos artistas participantes, assim como com figuras relevantes do cenário político e intelectual brasileiro, como Indianara Siqueira, a performer e ensaísta Jota Mombaça, Mateus Ah, a fotógrafa e diretora de cinema Vanessa Oliveira, o antropólogo Sérgio Ferreti, o Coletivo Bonobando, a antropóloga e diretora de teatro Adriana Schneider e o músico Negro Leo.

Em Salvador, o projeto ainda se vincula ao XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema, onde irá exibir quatro foto-filmes de Fichte e Leonore Mau, no dia 9 de novembro. A sessão será acompanhada de mais um momento de lançamento do livro “Explosão. Romance da Etnologia”, com uma leitura do Coletivo Bonobando.

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