Hugo Mendes | MuMA

A exposição Anamnese é, em síntese, uma exposição de superfícies. O título da exposição aproveita o termo no sentido utilizado por Georges Didi-Huberman sobre um tratado para a escultura, no qual o autor trata sobre o uso da matéria bruta na forma de análise reminiscente, como material extraído no seu estado nascente, tendo a memória formal uma qualidade própria do material: “a matéria é memória”.

Aqui, a Natureza está presente na matéria, contendo a clássica oposição entre cultura e natureza, uma ponte entre o individual e o coletivo, a historicidade e o pensamento contemporâneo. A exposição apresenta séries de trabalhos que remontam uma narrativa. A primeira, a qual leva o título da exposição, são cópias de troncos de árvores caídas ou cortadas que o artista recolheu nas ruas da cidade durante meses. A partir de moldes destes troncos, estes foram refeitos com uma pasta de papel reciclado, fazendo um retorno da matéria à sua memória em estado bruto. A segunda, ¿Y tú qué has hecho?, são reproduções em papel cimento de gravações realizadas nas árvores (Arborglyphs) nos bosques, parques e praças da cidade. Essas ações individuais são apropriadas e retratadas conferindo uma pesquisa sobre os contextos sócio culturais, a violação como forma de expressão ou demonstrativo para o afeto e a participação de um outro dentro da exposição.

A exposição também conta com pinturas e desenhos que carregam o registro do processo e desenvolvimento da pesquisa. Uma pesquisa conduzida na tentativa de propor uma série de transposições da alteridade, onde o próprio público visitante da exposição poderá tornar-se este “outro” pensado.

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