Hugo Houayek | Simone Cadinelli Arte Contemporânea

No lugar das tintas a óleo, acrílicas ou aquarelas, pequenas pinceladas de esmalte de unha e muitas camadas de batom. A relação corpo-pintura é abordada através das obras de Hugo Houayek, que ocupam os dois andares da galeria Simone Cadinelli Arte Contemporânea, com curadoria de Raphael Fonseca (curador do Museu de Arte Contemporânea de Niterói). “Cimento Manchado de Batom”, sua sexta individual, apresenta trabalhos elaborados nos últimos anos de sua pesquisa como artista visual, a maioria deles desenvolvida durante o seu doutorado em Linguagens Visuais na Escola de Belas-Artes da UFRJ.

As obras selecionadas abrangem tanto pinturas quanto objetos que, de diferentes maneiras, formam uma posição crítica em seu pensamento pictórico. O artista possui uma longa pesquisa sobre o campo da pintura, suas margens e limites, como um corpo que não para de olhar incessantemente.

“Sempre existiu o desejo dentro da história da pintura em fazer da tela uma pele e a própria pintura um corpo. É análogo ao desejo de Pigmaleão de dar vida à sua escultura. Então, esses materiais – batom, esmalte -, que são usados para cobrir o corpo humano, de maneira que o corpo vire tela, vira uma pintura. Nesses trabalhos estabeleço uma relação metafórica entre o corpo humano e a pintura.  Toda pintura seria um corpo maquiado”, explica o artista Hugo Houayek.

Além das pinturas feitas sobre papel A4 e A5, as esculturas – feitas em cimento pintado, de tamanhos variados, algumas com formas orgânicas – são pintadas com spray de tinta acrílica e também entram na relação metafórica com o corpo humano. Ou seja, a escultura também quer ser corpo.

“Os materiais utilizados em algumas dessas obras escapam das matérias tradicionalmente usadas na prática da pintura e ampliam o seu campo. A relação entre a banalidade dessas opções de técnicas e a suposta erudição da prática pictórica é tensionada e revista pelo olhar do artista”, avalia o curador, Raphael Fonseca.

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