A Galeria Marília Razuk recebe,”Trânsito”, exposição do artista Gustavo Rezende. Sua terceira individual no espaço reúne cerca de 10 trabalhos, frutos de sua produção mais recente. São esculturas e aquarelas, animações e gravura.

É do duplo que se alimenta o trabalho do artista. Se em obras mais antigas ele se materializava formalmente, o duplo agora não se apresenta necessariamente como duplicidade de formas. A questão aqui é a relação dupla no existir, de ser indivíduo e estar no mundo, na complexidade de ser diferente e único, e ao mesmo tempo, ser igual aos outros. De se relacionar com os dramas, fábulas e ícones de um universo pessoal, e ter que encarar o cotidiano banal que nos cerca.

Nesse sentido, a mostra marca a noção de trânsito, de estar entre dois lugares, nem partindo, e nem chegando. São situações provisórias, que marcam passagens, repousos, ações e pequenos acontecimentos, como por exemplo a série de aquarelas que retratam pilhas de cerâmica.

A tradição presente na História da Arte, sempre foi um assunto reflexão na produção do artista Gustavo Rezende. Conceitualmente o trabalho do artista trata da história da arte, presta reverência a ela, ao mesmo tempo em que a descontrói. Em Gravura mais bonita do mundo, o artista reproduz o Mont Sainte-Victorie, a partir do estúdio de Paul Cézanne. Porém sua versão digital tem aparência serigráfica, cheia de contaminações do universo cotidiano, como transeuntes e placas de sinalização.

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