Gretta Sarfaty | Galeria Pilar

De volta ao Brasil, depois de décadas vivendo entre Nova York e Londres, Gretta Sarfaty apresenta a sua primeira individual no país. Reconciliação, organizada pela Galeria Pilar, com curadoria de Fabio Magalhães, reúne a produção recente da artista, enquanto um de seus trabalhos históricos pode ser visto na mostra MAM 70: MAM e MAC USP, em cartaz na cidade.

Egressa da vanguarda artística da década de 70, Gretta notabilizou-se internacionalmente por suas performances, instalações, vídeos, fotografias e pinturas relacionados à Body Art e ao feminismo. Segundo o curador, ainda que em Nova York (1987) Gretta tenha desenvolvido seus primeiros trabalhos com computador à procura de novos suportes e de novos meios de expressão, o corpo manteve-se como fio condutor de sua poética. “O corpo fecundou toda sua linguagem. Não se trata de tema recorrente, e sim de território onde pulsa vida sem repouso – energia em incessante movimento”, ressalta Magalhães.

A série reunida na Galeria Pilar traz fotos, gravuras, vídeos e grandes trabalhos de complexa fatura. Estes últimos são compostos a partir de imagens (fotografias) retiradas de sua vida cotidiana, trabalhadas no computador e transportadas para tela com acréscimos de pintura, de grafismos e de colagens. Se antes era o próprio corpo da artista matéria seminal de sua arte, nas telas de Reconciliação há uma mudança em sua linguagem. “Agora o corpo precisa do outro, já não se expressa sozinho. Afinal, o tema é reconciliação, coparticipação, compartilhamento”, diz o curador.

Segundo a artista, os trabalhos remetem a sua reinserção no convívio familiar depois de uma prolongada ausência. “Para representar esse delicado tecido de relações humanas, a artista desenvolveu uma abordagem aguçada e construiu uma narrativa serena, com a intensão de captar situações de intimidade, muitas delas transpassadas de tensão e de brandura. Contudo, não são apenas as questões existenciais e interpessoais, que interessaram à artista.  Há o afeto! Expressão relevante e substantiva de sua poética atual”, completa Magalhães.

Muito jovem Gretta fez parte da XII Bienal de São Paulo e ganhou individual na emblemática Petite Galerie, no Rio de Janeiro, em 1974. Enquanto esteve nos Estados Unidos e Inglaterra, além de individuais, participou de inúmeras coletivas pelo exterior, entre as quais Bad Girls: Good girls go heaven. Bad girls go everywhere (2010), ao lado de nomes como Marina Abramovic, Yoko Ono e Annette Messager, no Palazzo Squarciafico, na Itália; e Exploring Spatial Enviroments by woman artists in the 1960s and 1970s (2016), na Fundação Calouste Gulbenkian, em Portugal. No mesmo período, suas obras também fizeram parte de exposições no Brasil: Europa, França e Bahia, retrospectiva de 15 anos no MIS e Paço das Artes –SP (1988); Auto-Retrato do Brasil: Gretta Sarfaty, MASP –SP (1983): Arte Conceitual e Conceitualismos: anos 70, no MAC –USP (2000); Fotolivros Latino-americanos, no Instituto Moreira Salles (2013);
entre outras.

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