Francisco Klinger Carvalho | Andrea Rehder Arte Contemporanea

“Metáfora de uma terra perdida” é a primeira exposição individual, na Galeria Andrea Rehder, do artista visual Francisco Klinger Carvalho, escultor brasileiro que vive e trabalha em Mannheim – Alemanha.

Na exposição o artista aborda várias facetas conceituais, as quais o mesmo chama de “metáforas escultóricas”, as quais fazem referências diretas à situação pela qual o Brasil passa atualmente; para tal, o artista se apropria de vários meios plásticos e recursos que envolvem modalidades como escultura, intervenção, instalação, desenho e fotografia, na intenção de construir uma opereta ou por assim dizer, de uma narrativa visual organizada em pequenos atos, os quais tratam do caos político institucional brasileiro.

A deposição de um Presidente da República eleito, sem crime comprovado, tem como resultado imediato a fragilidade das bases de qualquer democracia. No Brasil, o que se gerou, nesta crise institucional generalizada, vai para além de uma profunda desconfiança no aparato estatal que sustém hoje o sistema político. Francisco Klinger Carvalho, ao que se vê por meio de sua obra artística, está mergulhado nas profundezas dessas águas turbulentas que compõem o mar de crise, que assola o Brasil contemporâneo. De certo, vem daí a série de mapas invertidos com as intervenções de objetos postados sobre estes. Série esta que o artista intitula “Da Ordem ao Caos“ (2016), ato manifesto no qual Francisco declara a grande dificuldade de interpretar o futuro do país. Egberto Gismonti disse uma vez que, muitos dos que moram fora do país, sentem-se mais brasileiros do que os que vivem dentro. De certo, isso se dá com Francisco Klinger Carvalho.

O artista desenvolve, nesta exposição, vários pontos como em um ato de composição musical, que são demarcados desde a entrada na galeria. Ao adentrar se depara com a obra “Infeliz Coincidência“ termo usado pelo atual presidente Michel Temer, quando pronunciou-se oficialmente sobre o massacre ocorridos na penitenciária de Manaus; um segundo ato é a obra “Contraste – a arrogância de Narciso“, na qual o artista tenta descrever, sutilmente, que o ator-político desejoso do poder se perde em sua própria imagem. A estas seguem em atos contínuos uma grade postada sobre um móvel, na qual se tem a sugestão de que lhe atravessa um espelho como em um corte; Um chassis negro, queimado, que se compõe com um pano negro, descrevendo gesto ao mesmo tempo interpretativo da bandeira sendo queimada e simultaneamente carregado dos simbolismos de luto pelo país que destrói a si mesmo ao decompor a credibilidade de suas instituições ou a tragédia cotidiana das queimadas nas florestas brasileiras, que ameaçam o futuro de gerações.

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