Francisco Hurtz | Verve Galeria

A Verve Galeria inaugura “Um Homem Bateu em Minha Porta”, do artista plástico Francisco Hurtz, com texto crítico de Jorge Coli. Através de 20 trabalhos – entre desenhos, fotografias e pinturas – a mostra aborda o erotismo ao apresentar corpos masculinos em confronto, perfazendo uma dura afirmação política em face das convicções machistas presentes nas artes visuais e na sociedade em geral.

Em sua primeira individual na galeria, o artista propõe um novo olhar à representação do corpo masculino, normalmente retratado jovem, dominante, viril e potente – imagem corriqueira e massificada do universo gay. “Busco romper com uma tradição homoerótica de desejo e afeto projetados na criação estética, e dou lugar ao vazio, à dubiez, à indefinição e à perplexidade”, comenta. Sobre esta produção, o historiador Jorge Coli diz: “Ao centrar-se sobre o corpo masculino e sobre o fetichismo homoerótico, Francisco Hurtz celebra menos uma sexualidade exuberante do que o rigor próprio a uma síntese concentrada. Opera uma desumanização, seja ela sentimental, seja ela de estímulos eróticos. Instaura mais a contemplação do que o apelo do desejo. Mesmo suas épuras de jovens, delicadas, sugerem um esvaziamento: nem rosto, nem alma. Os personagens sado masoquistas expulsam o erotismo pela objetivação de uma imagem que possui algo de demonstrativo”.

Além de uma mera afirmação do desejo homossexual, “Um Homem Bateu em Minha Porta” representa um embate contra as normas heterocentradas que regem grande parte do mercado de arte. Engajado com a Teoria Queer e com a estética pós-pornô, Francisco Hurtz questiona o exercício do protagonismo no meio artístico, e explicita o silenciamento sistemático da Arte Queer nos museus e instituições do Brasil – país com os maiores índices de violência contra LGBT’s no mundo. Nos dizeres do artista: “A celebração ao corpo e a pura escopofilia nas artes ficam de lado e dão lugar à incerteza através de um olhar subversivo. Corpos de homens em confronto: a tortura, a objetificação, a fragilização, o apagamento, fragmentação, a subordinação e a redução de imagens masculinas colocam o homem em um lugar de servidão e incômodo pouco comuns nas artes visuais”.

 

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