As galerias Millan e Jaqueline Martins realizam uma ocupação em um dos últimos andares de um prédio histórico no centro de São Paulo. Intitulada Formas e com curadoria de Maria do Carmo M. P. de Pontes, a exposição apresenta trabalhos inéditos da jovem artista Tatiana Dalla Bona em diálogo com as obras Linguagem, de Lenora de Barros, e Consultório, de Ana Mazzei. Essa é a primeira vez que as duas galerias realizam uma ação em conjunto fora de seus espaços, na Vila Madalena (Millan) e na Santa Cecília (Jaqueline Martins), em São Paulo.

Tatiana Dalla Bona apresenta uma grande instalação site specific composta de dezenas de tecidos (tule, gaze, redes de pesca etc.) cobertos com látex. Ao manufaturá-los de forma artesanal, a artista opta por não controlar nem o surgimento da cor nem o acabamento de suas superfícies, respeitando a ação natural do tempo e seu efeito transformador sobre a matéria orgânica.

Cada tecido é uma consequência dessa abertura para o acaso, apresentando texturas únicas, com diferentes graus de transparência (que imprimem tanto respiro quanto sedução), conferindo um aspecto orgânico a eles. Pendurados em camadas de forma labiríntica e ocupando quase a totalidade do espaço, os tecidos convidam o visitante a tocá-los e atravessá-los, ao mesmo tempo que impossibilitam a contemplação integral da obra, propondo um jogo imaginativo no qual a mente é interpelada a construir a figura do todo através de suas partes.

Em paralelo, Lenora de Barros, cuja prática se volta para a exploração das possibilidades dos códigos das imagens e das palavras, apresenta Linguagem, uma série de fotografias da língua da artista, realizadas em diferentes anos: 1979, 1990, 1994, 2008 e 2017, nas quais o enquadramento revela apenas sua textura. Ambas as artistas se aproximam ao apresentar tanto o material orgânico no âmbito da abstração formal quanto o tempo como agente transformador da matéria. Se nos tecidos de Tatiana aquele trouxe novos tons, na língua de Lenora alastrou sua porosidade. Completa a exposição a obra Consultório (2017), de Ana Mazzei, composta de um divã e uma cadeira. O espectador é convidado a desfrutá-los, invocando assim a sensorialidade presente nas obras de Lenora e Tatiana.

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