Florian Raiss | Galeria Lume

De um lado, uma civilização marcada por um racionalismo erudito. Do outro, uma natureza mítica e primitiva. A obra de Florian Raiss caminha entre dois mundos, um real e outro imaginário, combinados de forma quase que indissociável. Sua produção é marcada pela possibilidade do surgimento inesperado do fantástico e pela presença de questões existenciais, muitas vezes ligadas à beleza e também à complexidade do universo.  A partir de 2 de abril, a Galeria Lume apresenta trabalhos inéditos em Serenata, primeira exposição individual do artista, após sua morte precoce em março de 2018.Entre desenhos e esculturas exposição reúne cerca de 30 obras de diferentes fases da carreira do artista, entre elas 8 inéditas, e apresenta ao público as figuras que habitavam a psique de Raiss: quadrúpedes que caminham rumo a um futuro incerto, sereias e centauros que evocam o mítico e o erótico, além seres enigmáticos, criaturas de um mundo onírico, todos dotados de sentimentos impenetráveis.”Mas quem são esses personagens silenciosos e eróticos? Onde moram estes sentimentos?”, indaga Paulo Kassab Jr., que assina o texto curatorial da exposição. “Talvez eles sejam o espelho do artista ou nem sejam reproduções, mas simples formas simbólicas nas quais Florian transforma a realidade em objeto”, completa.Os signos usados por Florian Raiss remetem à sua própria história. Filho de alemães, o artista nasceu em 1955, no Rio de Janeiro, e cresceu na capital paulistana. Mas foi na Europa que realizou seus estudos de artes plásticas. Na década de 1970, mudou-se para o México, onde estudou desenho. Não à toa, vestígios da arte grega e mexicana persistem em seus trabalhos.Pouco a pouco, suas criações adquiriram volume. “O desenho me levou à escultura, que surgiu como uma necessidade de materializar figuras que eu tinha em mente”, disse ele em um de seus depoimentos. Raiss partia da premissa do mínimo recurso com o máximo de expressão. O artista possuía verdadeira fixação pela figura humana.Marcados por traços fortes, braços e pernas voluptuosos e olhos intensos, seus trabalhos são também extremamente sutis, muitas vezes delicados. Exemplo disso é a obra Respiro no mar, escultura em bronze que enaltece aquilo que ele considerava a forma mais complexa criada pela natureza: o rosto. A face, em seus minuciosos detalhes, surge também nos retratos da série Azul, na qual percebemos a sensibilidade em cada um dos olhares.

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