Flávia Ventura | Aliança Francesa

A Aliança Francesa Belo Horizonte lança a mostra individual “Tramas da Resistência”, da artista plástica Flávia Ventura. Os trabalhos fazem parte da programação anual da instituição, com o tema “Arte na Luta”, que convocou artistas por meio de um edital.

A exposição apresenta trabalhos de técnica mista, inéditos, desenvolvidos nos dois últimos anos, com base nos acontecimentos recentes do cenário político brasileiro, sob a ótica da mulher como personagem atuante nas lutas por justiça social e liberdade de expressão.

“Acho que estamos em um momento no qual resistir é uma manifestação muito honesta de coragem. Reconhecer a opressão, assumir sua militância e transformar isso em arte, é necessário, inspirador e valente. A Flávia joga para nós essa resistência em forma de boa arte. Abusando dos suportes diferentes, das estratégias técnicas e narrativas, ela traz um trabalho visceral e verdadeiro, cheio de reflexões e multiplicidades. Transcendendo os formatos tradicionais, sua obra traz a mensagem crua que vem nos dando força para atravessar esse momento: vai ter luta”, comenta a curadora Rebeca Prado.

As obras passam por referências a grandes artistas e músicos que levantaram voz em momentos críticos da história política do Brasil como Hélio Oiticica, Rosana Paulino, Gonzaguinha e MC Carol. E trazem um caráter experimental da mistura de técnicas e materiais tradicionais da produção artística, com os do universo da costura e da estética corporal. Linhas se misturam às tintas e maquiagens, tecidos se misturam aos papéis.

A reconstrução e ressignificação de técnicas e materiais refletem no próprio conceito de (r)evolução social, política e de costumes que só são possíveis pela coragem de arriscar sobre novas formas de ação e pensamento. São abordados questionamentos que passam pela mulher silenciada e alienada pelas estruturas da sociedade, até a mulher transgressora que luta contra essas mesmas estruturas. E, ainda, reflexões sobre democracia, construção coletiva e a beleza das utopias. No fazer artístico ou no fazer político, a quebra de paradigmas abarca uma mesma luta.

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