Flavia K | Palácio dos Bandeirantes

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O Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo do Estado de São Paulo – que desde 1977 assumiu sua vocação de palácio-museu e recebe a população para conhecer seu acervo de pinturas, esculturas, desenhos, gravuras, móveis, louçaria, prataria e tapeçaria, do século XVII ao XXI – recebe, a partir de 11 de setembro, a exposição “Bahia Barroca – Tradição e Contraste”, da fotógrafa baiana Flávia K.

Por decisão do Governador João Doria, grande apreciador da arte, cultura e que tem se empenhado pessoalmente na valorização dos artistas brasileiros, o Palácio dos Bandeirantes passou abrir suas portas para exposições mensais de fotógrafos contemporâneos. Em “Bahia Barroca”, que ocupará os salões do Palácio dos Bandeirantes nesse próximo mês, Flávia K, uma “cronista de imagem”, registra as tradições do Movimento Barroco dos séculos XVII e XVIII na Bahia, com um olhar contemporâneo e ao mesmo tempo pleno de referências de suas heranças culturais.

Flávia, natural do interior da Bahia e hoje vivendo em Salvador, “incorpora em seu trabalho influências de uma linguagem barroca, no sentido de captar em suas imagens características como efeito visual em curva, composições em diagonal, o jogo entre o claro e o escuro, a luz e a sombra. À medida que abstrai as formas, a fotógrafa revela o movimento, manifesta dramaticidade e faz reluzir o ouro e a prata”, de acordo com Ana Cristina Carvalho, curadora do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo.

São 32 imagens inéditas, de 80 x 100 cm, que dialogam com um expressivo e raro conjunto de peças dos séculos XVII e XVIII da coleção de arte sacra do Palácio, proveniente da Bahia – móveis do Convento N. Sra. Das Mercês, Arcazes, fragmentos do interior da antiga Sé de Salvador, ermida, oratório e objetos litúrgicos – que, conjugadas às fotografias contemporâneas, alertam-nos para a importância de manter vivas as tradições locais. A produção executiva da abertura é de Claudia Odorissio.

O Movimento Barroco deixou marcas profundas no estilo exuberante das igrejas, nas artes, na cultura popular e espirito de religiosidade brasileiros. Do encontro com os africanos e seus descendentes nasceu uma identidade miscigenada, uma cultura afro-religiosa única, na qual o universo material convive harmoniosamente com o espiritual. As preciosas baianas com seus ornamentos, as festas religiosas e procissões, as inúmeras demonstrações de fé, que acontecem nas igrejas, capelas e santuários de oferendas, formam a energia mística e o rico patrimônio cultural que a Bahia tem, tudo ricamente representado nas imagens de Flávia K para esta exposição.

Flavia K. nasceu no interior da Bahia em 1975. Formou-se em Desenho Industrial pela Universidade Estadual da Bahia e passou, gradativamente, a vivenciar a fotografia de modo que não houvesse objeto, cor, movimento ou formas naturais que passassem despercebidos ao seu olhar. Enquadrando o sentimento e pondo a alma, foi construindo um significado para captar a sua verdade em cada situação.  A arte sempre esteve presente em sua vida e, neste trilhar de muita dedicação, encontra-se numa busca que não se interrompe, onde está sempre a apreender e a criar para chegar à foto que ainda não fez.

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