Fernando Diniz | Galeria Estação

Fernando Diniz (1918, Aratu, Bahia – 1999, Rio de Janeiro, RJ) está entre os artistas forjados no ambiente da Dra. Nise Da Silveira, hoje reunidos no Museu de Imagens do Inconsciente, instituição parceira da Galeria Estação na realização desta individual em sua homenagem. Com curadoria de Luiz Carlos Mello e Eurípedes Junior, a mostra institucional traz um recorte de pinturas da produção de Diniz estimada em cerca de 30 mil peças, entre telas, desenhos, tapetes e modelagens. Com sua obra tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 2003, o reconhecimento do artista é ainda saudado pelas inúmeras exposições no Brasil e no exterior, prêmios, publicações, filmes e vídeos.

“Não sou eu, são as tintas”, esta era a sua resposta, quando frequentava, a partir de 1949, a Seção de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Pedro II, criado por Dra. Nise. Segundo os curadores, Diniz mescla o figurativo e o abstrato, abarcando das mais simples às mais complexas estruturas de composição. “Presença constante é o geometrismo, marcado muitas vezes pela imagem do círculo, que representa as forças ordenadoras, curativas, da psique”.

Além de ter produzido intensamente – de quatro a seis trabalhos por dia –, Fernando Diniz recolhia todo tipo de papel que encontrasse no hospital e em suas cercanias, levando-os para o seu quarto. Ali, utilizava esses materiais como suporte para suas criações, denominando-as “Reciclados”. Velhos lençóis lançados ao lixo pela administração hospitalar foram recuperados por ele: costurando-os, construiu suportes para as pinturas de grandes dimensões que denominou Tapetes digitais.

Os curadores destacam a ânsia por conhecimento do artista, que chegou a imaginar o hospital como uma universidade. “A sua paixão pelos livros fazia-o constantemente atualizado com os acontecimentos e descobertas científicas. Manifestava interesse por astronomia, química, física nuclear e informática, revelando-se um pesquisador incansável”. Sua curiosidade pelo conhecimento levou-o ao cinema. Foi a sua participação no filme Em busca do espaço cotidiano, de Leon Hirszman, que despertou seu interesse pelo movimento da imagem. Esse interesse resultou no premiado desenho animado Estrela de oito pontas, para o qual criou mais de 40 mil desenhos sob a orientação do cineasta Marcos Magalhães.

Em 1992 o Museu de Imagens do Inconsciente realizou uma grande retrospectiva de sua obra, O universo de Fernando Diniz, ocupando com mais de duas centenas de trabalhos os espaços do Paço Imperial da Praça XV, no Rio de Janeiro.

“Do espaço para o tempo, do inorgânico para o orgânico, do geométrico para o figurativo ou vice-versa, Fernando ia tecendo seu universo. Visitou os espaços interiores da casa sonhada, e as amplidões das paisagens; fragmentou ou reconstruiu o corpo humano, submetendo-o aos movimentos dos jogos, dos esportes; esquematizou objetos e seres, imaginou objetos científicos, executou verdadeiros tornados geométricos prenhes de formas cuja multiplicidade extrema por vezes levou-o ao caos, de onde sempre retornava trazendo novas e inesperadas imagens, como os seus últimos abstratos, onde logomarcas, fórmulas químicas, signos e símbolos se misturam para criar um luxuriante universo de coisas, um inventário do mundo”, concluem Luiz Carlos Mello e Eurípedes Junior.

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