Evandro Soares | Referência Galeria de Arte

Referência Galeria de Arte inaugura a mostra “Traço expandido”, de Evandro Soares, com curadoria de Mario Gioia.  Antes da abertura, o artista visual e o curador participam de uma conversa com o público sobre a mostra e os processos criativo e de produção e de uma visita orientada.

Esta é a primeira mostra individual do artista em Brasília. Em “Traço expandido”, Evandro Soares apresenta suas mais novas linhas de pesquisa em linguagem e materiais. Extrapolando os limites do papel, o artista apresenta os recentes trabalhos em fotografia sobre ACM – chapa metálica de alumínio composto -, além de desenho e esculturas com linhas de ferro. Para a mostra na Referência, o artista apresenta desenhos, fotografias e site specific.

As obras de Evandro Soares dialogam com processos construtivos que envolvem matemática, geometria e serralheria, dando origem a objetos escultóricos que saem das telas para se projetar no espaço. Com técnica apurada, Evandro Soares reúne em suas obras o conhecimento popular e questões da arte contemporânea. Sua longa trajetória com a serralheria (que confere à sua produção qualidade técnica irrepreensível) se junta às questões que surgem dos códigos construtivistas, minimalistas, do design e da arquitetura.

Na mostra que apresenta na Referência, Evandro dá continuidade a experimentos iniciados no final do ano passado, com a série em que parte de uma base fotográfica – retratando edificações contemporâneas já finalizadas ou sendo erigidas – para construir objetos escultóricos com uma linha predominante de metal que invade o espaço. Do ponto de vista formal, a série é relevante por avançar na investigação visual “nessa zona hibrida e não linear entre distintos suportes”.

Mario afirma que no campo simbólico vale ressaltar a base fotográfica das obras. Ela apresenta uma arquitetura de arranha-céus comum a todas as cidades, onde há uma congestão verticalizada de prédios indistintos entre si, ao que o arquiteto e teórico holandês Rem koolhaas chamou de “cidade genérica”. Quando apresentada em uma cidade como Brasília, “as configurações jogam com outros vetores, como o fracasso da arquitetura de traços modernistas, como índice de agrupamentos urbanos mais organizados e, por que não, de conceitos mais utópicos; as novas edificações quase a totemizar as paisagens predominantemente horizontais do cerrado e de planificações urbanas mais próximas da escala humana; a agressividade e violência advinda dessa estandardização distante de parâmetros de urbanismos mais generosos”, completa o curador.

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