Erwin Wurm | CCBB São Paulo

Foto: Carol Quintanilha

A mostra “Erwin Wurm, O Corpo é a Casa”, do artista austríaco, está sendo exibido pela primeira vez no Brasil, em São Paulo. Com curadoria de Marcello Dantas, a exposição segue para Brasília (de 21/04 a 26/06), Belo Horizonte (de 11/07 a 18/09) e Rio de Janeiro (de 11/10 a 08/01/2018).

Erwin Wurm utiliza mídias variadas – esculturas, vídeos, instalações, performances e intervenções – para desafiar formas tradicionais presentes no dia a dia. Neste sentido, objetos como carros, casas e sofás ganham aspectos distorcidos e expandidos. O humor permeia sua obra, que também é sustentada por uma crítica feroz à sociedade de consumo e à cultura contemporânea. Segundo ele, o humor leva as pessoas a olharem para as coisas com mais cuidado. Wurm também coloca a interação do espectador como o ingrediente mais importante de sua arte.

Um dos destaques da mostra, com cerca de 40 obras, é a Fat House (Casa Gorda), que – com dimensões gigantescas e pesando cerca de 2 toneladas – foi remontada no térreo no CCBB. Na série The Artist Who Swallowed the Word (O artista que engoliu o mundo) há uma seleção de trabalhos que discute a presença do artista em sua obra; já nas One-Minute Sculptures (Esculturas de um minuto) os visitantes seguem as instruções do artista e tornam-se, por 1 minuto, a própria obra. Dentro de casa e Comida são outros núcleos que fazem parte da exposição e também deslocam o espectador ao confrontá-lo com elementos triviais distorcidos. Treze vídeos do artista estão espalhados pelo espaço, em lugares inusitados como banheiros, corredores e elevadores. E até a fachada do prédio recebeu uma grande intervenção com móveis que instigam os passantes.

Sobre a exposição

Ao percorrer o conceito de corpo e elementos domésticos e do cotidiano, o conjunto de cerca de 40 obras explora tanto noções arquitetônicas, para as quais o artista olha a partir do ponto de vista escultórico, quanto “a natureza transformativa da escultura em suas muitas encarnações”, como aponta o curador. Integra o conjunto as famosas esculturas corpulentas, Fat House (Casa Gorda) (2003), a inflada Ferrari brilhante vermelha Fat Convertible (Conversível Gordo) (2004) e peças da série The Artist Who Swallowed the Word (O Artista que Engoliu o Mundo) (2006).

Esse conjunto antropomórfico e obeso sugere algumas atribuições biológicas ao objeto artístico, como o ato de consumir, tornando-o capaz então de “preencher” o seu próprio interior. Seguindo essa lógica, obras envolvendo comida também estão presentes como as roliças salsichas que mimetizam atividades humanas da série Abstract Sculptures (Esculturas abstratas) (Sitting Big/Sentando Grande), de 2014 e Big Kiss (Grande Beijo), de 2015; a instalação de 37 pepinos de acrílico pintado sobre pedestais Self-Portrait as Pickles (Auto-retrato como Pickles), criada em 2008 e apresentada em diversos países desde então, e Spit on Someone’s Soup (Cuspa na Sopa de Alguém), de 2003.

“Entendo que a matéria-prima de qualquer escultura é energia e a unidade de medida de energia, que é a caloria, é o mesmo elemento que irá alterar a forma, o volume e a densidade dos materiais. E estes irão explorar a ressignificação da nossa própria energia corpórea em obras de arte simbólica, desafiando a noção de performance, escultura e arte”, comenta Marcello Dantas.

Como desdobramento das investigações das estruturas arquitetônicas, Wurm olha também para seu interior e nele o universo de objetos domésticos os quais ele deforma e redimensiona. Exemplos desses são obras como a prateleira derretida feita de bronze e pátina Dodge (2012), a cadeira prensada em um bloco Angst / Lache Hochgebirge e o vaso sanitário comprimido de madeira e resina Toilet (Vaso Sanitário) (ambos de 2014), o relógio agigantado Lost (Perdido) (2015), o armário que parece ter sido esmurrado em First Ascent – North Wall (Primeira Ascenção – Parede Norte) (2016), entre outras.

Completam o conjunto as One-Minute Sculptures (Esculturas de Um Minuto), criadas nos anos 1990, nas quais são os espectadores que se tornam as esculturas a partir de instruções deixadas por Wurm. Essas sugerem que o sujeito permaneça em diferentes posições por um minuto, seja vestindo uma peça de roupa ou posicionando a própria cabeça dentro de um armário, criando assim formas efêmeras que logo em seguida se desfazem, como uma espécie de performance não programada. Também serão apresentados 13 vídeos – espalhados em espaços inesperados do CCBB como banheiros, corredores e elevadores -, além de uma grande intervenção na fachada do prédio.

A experiência das obras de Erwin Wurm extrai do espectador deleite e senso de humor. Este último, segundo ele, leva o sujeito a olhar para as coisas com mais cuidado e, portanto, com maior engajamento, por isso ambos (humor e espectador) acabaram se tornando os ingredientes mais importantes do seu gesto artístico.

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