Erica Ferrari | Funarte

A Funarte São Paulo tem o prazer de apresentar o projeto “Estudo para Monumento”, da artista Erica Ferrari, selecionado no Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2015 – Galerias Funarte de Artes Visuais São Paulo. A instalação é uma construção em escala real de dois possíveis fragmentos de ruínas cuja referência são importantes edificações situadas no Rio de Janeiro e em Berlim. A ideia é discutir sobre a continuidade histórica desses símbolos a partir de seus desaparecimentos em consequência de atos políticos.

Elaborado especialmente com madeira e material de descarte, em parte carbonizado, no trabalho há o tensionamento entre a história e significado do edifício modernista Columbushaus, projetado em 1932 pelo arquiteto alemão Erich Mendelsohn e incendiado em junho de 1953, em protesto popular na antiga Berlim Oriental; e a primeira sede da União Nacional dos Estudantes – UNE, na Praia do Flamengo, em palacete confiscado da Sociedade Germania, que sofreu atentado em abril de 1964 no contexto de repressão da ditadura militar e hoje é reconstruída com projeto do arquiteto Oscar Niemeyer. Ambos os episódios envolvem atos repressivos empregados por sistemas de governo recém implantados, ocorrendo entretanto em lados opostos no contexto da Guerra Fria e por agentes antagônicos. As ruínas dos prédios sobreviveram alguns anos no corpo da cidade, indicando na paisagem o ataque físico e significativo. Se pensarmos na definição de monumento como construção que adquire valor de símbolo dentro de uma comunidade devido à atribuições históricas e ideológicas, não só a sede da UNE e o Columbushaus se apresentam como tal, mas também suas subsequentes ruínas.

É significativo como o corpo arquitetônico se torna alvo imediato e eficaz da luta política e sua destruição traz em si não apenas o fim das atividades ali exercidas mas também o significado que o edifício carregava para aquela comunidade. Por fim, existe também a constatação da força dessas áreas destruídas como tábula rasa para a especulação imobiliária, para a construção do ‘novo’ que se torna cartão postal e ponto de referencia das metrópoles do século XIX, como é o caso de ambos.

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