Eduardo Berliner | Casa Triângulo

A mostra reúne cerca de dezenove pinturas a óleo sobre diferentes suportes [tela, lona solta e madeira], além de três grupos de desenhos. Um desses grupos consiste em um conjunto de dez cadernos de anotações realizados ao longo do último ano, cujas páginas serão viradas semanalmente durante o período da exposição.

Para Eduardo Berliner, a qualidade da superfície da madeira justifica seu uso como suporte ao longo dos últimos anos. Segundo o artista, sendo mais lisa do que a lona, diminui o atrito no movimento do pincel permitindo um trabalho com linhas mais velozes e fluidas e a criação de um espaço híbrido entre desenho e pintura. Importante acentuar que alguns desses trabalhos receberam chapas de compensado ao longo do processo, o que enfatiza seu aspecto especulativo.

O modo como Berliner realiza seu trabalho é essencialmente introspectivo: “De forma geral, o repertório imagético deriva do acúmulo de registros diários realizados durante anos em meus cadernos reconfigurados pelo contato com o processo de pintura. São anotações de natureza distinta que flutuam entre a observação do meu entorno, informação absorvida de maneira consciente e inconsciente e um mapeamento de questões íntimas com forte carga psicológica”.

Durante o processo de pintura, em contato com a fisicalidade dos materiais, questões de natureza e temporalidade distintas tendem a se fundir, originando imagens ou situações que não necessariamente se referem a um evento específico, mas a metáforas abrangentes sobre a condição humana.
Um exemplo da temporalidade na obra de Berliner está no trabalho A estranha permanência na memória das coisas vistas no escuro, 2017. Composta por cinquenta pequenos desenhos e textos em nanquim e aquarela, criam uma atmosfera intimista onde observações e distorções da memória convivem lado a lado gerando uma narrativa que oscila entre unir elementos delicadamente para logo em seguida despedaçá-los, com o simples movimento dos olhos.
A exposição conta com texto assinado pelo autor português Valter Hugo Mãe.

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