Do Silêncio à Memória | Paço das Artes no MIS

O Paço das Artes – instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo – inaugura no dia 14 de novembro “Do Silêncio à Memória”, última exposição da Temporada de Projetos 2018. A mostra, com curadoria de Juliana Caffé, fica em cartaz até 13 de janeiro de 2019 no MIS – Museu da Imagem e do Som – e tem entrada gratuita.

Com o objetivo de estimular a reflexão sobre construções narrativas e a capacidade da arte de trazer para a memória coletiva social, outras perspectivas e possibilidades de mundo, Juliana Caffé parte dos conceitos do antropólogo haitiano Michel-RolphTrouillot sobre a dimensão reflexiva da história e do filósofo martinicano Frantz Fanon sobre descolonização, para debater o processo narrativo como ferramenta para reelaborar passados, presentes e futuros e criar novas formas de vínculo social e conhecimento.

Diante do atual momento global de instabilidades e crises no panorama econômico e de representatividade política, padrões são postos à prova, e outras vozes ganham espaço na procura de dar sentido à história e criar novas formas de subjetivação, outras condições para o saber e o poder. “Do Silêncio à Memória” é esse percurso de conflito e resistência na busca pela afirmação política.

A exposição é composta por videoinstalações, fotografias, quadros e outras peças de sete artistas e coletivos que têm trabalhado com processos narrativos e com a dimensão reflexiva da história relacionada, principalmente, com questões raciais, de classe, de sexualidade e de gênero.

E.D.E.L.O, Explode!, Grada Kilomba e Jaider Esbell, são coletivos e artistas que, nos últimos anos, focaram seus trabalhos na idéia de realçar narrativas silenciadas ou abafadas no transcorrer da história. A obra Zapantera Negra de E.D.E.L.O. – projeto artístico liderado por Caleb Duarte e Mia EveRollow – por exemplo, reúne o resultado visual de encontros entre Panteras Negras e Zapatistas realizados entre 2012 e 2016 no México, e reflete dois movimentos revolucionários poderosos articulados em torno da luta anticolonial de negros e índios.

Já Clara Ianni, Iván Argote e Victor Leguy, são artistas que direcionam suas pesquisas nas construções narrativas e na relação do homem com a história. Em 111, Clara Ianni questiona a narrativa oficial disseminada pelos livros de história e literatura brasileira ao realizar uma ação na Biblioteca de São Paulo, localizada no antigo endereço do presídio Carandiru. A obra ativa a memória de uma tragédia nacional e questiona as relações entre história, arquitetura e poder.

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