Denise Milan | Galeria Lume

© James Choi

São infinitos os elementos da natureza que possuem um centro. Poucos, entretanto, são aqueles que apresentam centros que se sobrepõem, que convergem para um ponto único. São estes os que inspiram as obras que compõem ConCentração, exposição individual de Denise Milan.

Com curadoria de Marcello Dantas, a mostra traz 14 obras, entre esculturas e trabalhos tridimensionais, desenhos e vídeos. “O que une essas obras é um elemento intangível, que é a busca por revelar uma organização formal entre dois centros: um real e um imaginário, em sobreposição um ao outro”, afirma o curador.

Segundo Dantas, muitas de suas obras, independente dos suportes em que se apresentavam, revelavam uma constante busca pela ideia do concêntrico – ora como produto do acaso, ora como uma compulsão deliberada. “Denise é uma artista altamente intuitiva, que vai à natureza buscar uma forma que está na obsessão do seu pensamento. Essa exposição revela a busca pelo concêntrico em sua pesquisa geológica, à maneira como a artista se relaciona com as formas espontâneas da natureza”, destaca.

Utilizando-se da pedra como principal eixo criativo, a artista se vale da abundância das riquezas naturais brasileiras para construir uma ponte entre ciência, arte e sociedade, tomando para si a missão de estudar a geometria das pedras que surgem em seu caminho, escutando-as e tirando delas potenciais analogias entre a geofísica e a química dos minerais com a possibilidade do homem se reconectar com a natureza e com suas origens: assim como as pedras transformam com o passar do tempo, o ser humano também traz em si essa capacidade de se transformar.

As treze obras apresentadas na mostra são oriundas de suas pesquisas feitas com o quartzo, o basalto, o ouro e a sodalita. A partir da investigação e do polimento delas, Denise decodifica sua linguagem e estabelece uma conexão com a Terra e a existência, explorando assim a metafísica da vida, da morte e do renascimento.
“Vivemos em uma grande pedra azul. Imaginá-la girando na imensidão do universo é compreender que somos parte de uma grande família e que estamos todos conectados”, diz Denise.
“Os achados mineralógicos trazem amostras do processo de criação da Terra. O chão em que pisamos é o elemento que nos une, uma origem que temos todos em comum”, afirma a artista. “O meu trabalho e, mais especificamente esta exposição, é um chamado para que possamos nos reconectar com a natureza. É a anunciação do despertar de um novo homem, que diante da falência das estruturas por ele inventadas, busca essa transformação, uma nova maneira de conduzir sua vida”, diz.

Sobre Denise Milan

Natural de São Paulo, Denise é uma artista com vasta experiência multidisciplinar, tendo elaborado obras nas áreas de arte pública, escultura, artes cênicas, poesia, impressão e vídeo-arte. Seus trabalhos foram expostos em diversas instituições, no Brasil e no exterior. Em São Paulo, Denise participou da Bienal Internacional, Museu de Arte Moderna (MAM), Museu de Arte de São Paulo (MASP), do Museu de Arte Contemporânea (MAC), Galeria São Paulo, Galeria Nara Roesler, Galeria Milan, Galeria Lume e Sesc.

No exterior, já expôs no Barbican Centre (Londres); PSONE , Art in General (Nova York); EXPO 2000 (Hanover); EXPO 90 , Hakone e Museu Open-Air (Osaka); Museu de Arte Contemporânea e Art Institute e no Cultural Center (Chicago); no Palazzo del Monte Frumentario(Assis); Wilson Center (Washington D.C.); na Galeria D’Architecture (Paris).

No momento seu trabalho é destaque também na Georgetown University, de 18 de outubro até o mês de dezembro, com a mostra Mist of the Earth (Fumaça da Terra) na quinta exibição desde que iniciou sua itinerância naquele país em 2012, tendo passado por Chicago, Washington, além de Salt Lake City e Provo, em Utah.

A exposição reunirá tapeçarias e quadros, com curadoria de Jennifer Eagleton, gerente do Programa de Iniciativa Ambiental da Universidade, e Naomi Moniz, professora emérita da instituição e doutora em literatura luso-brasileira em Harvard.

A abertura da exposição contará com uma roda de conversa que reunirá, além da artista, Peter Seligmann, presidente e CEO da Conservation International, Jerome Friedman, professor do MIT e Prêmio Nobel de Física, e Manuela Mena, curadora do Goya, do Museu do Prado. Juntos, eles discutirão a obra de Denise a partir de suas diferentes linguagens: artístico, social e físico.

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