Daniel Mullen | Emmathomas

Tocar as cores, sentir o gosto dos sons e relacionar cheiros a imagens de maneira automática, sem qualquer relação com memórias afetivas. Chamada de sinestesia, essa confusão sensorial é definida por uma condição neurológica em que o estímulo em determinado sentido provoca reações em outro. São raros os sinestetas, mas a prática pode ser experienciada por todos, se estimulada sob determinados impulsos. É o que pretende Daniel Mullen, artista escocês que agora integra o corpo representado pela Emmathomas Galeria e que apresenta no Brasil a individual Equação das Cores, em cartaz entre 30 de março a 4 de maio.

“Suas pinturas, feitas quase sempre em tinta acrílica, são formadas por dezenas de camadas, que, juntas, representam uma outra sensação comum para os que levam consigo essa aptidão extra: a de ver as cores do tempo”, reflete Ana Carolina Ralston, que assina a curadoria da exposição.

Mullen traz para o país obras inéditas de Synesthisia, série concebida em colaboração com a também artista e cineasta americana Lucy Cordes Engelman, com quem hoje é casado. Na exposição, ele apresenta um conjunto de nove pinturas abstratas, na qual mantém a perspectiva em primeiro plano e coloca as cores como ponto de partida para projetar espaços e direções. “Minha pintura é um portal para que o espectador mergulhe em uma experiência sensorial. Quero que ela seja um lugar de reflexão”, pontua.

A relação de Mullen com este universo teve início justamente após a aproximação de Lucy, cineasta para quem os números e as letras têm uma conexão direta com as cores. Atualmente, ela colabora com a produção da série ajudando-o a definir as combinações cromáticas que nascem das linhas traçadas pelo artista em suas telas. O processo criativo do casal começa na escolha de datas específicas. Cada fração matemática que a compõe emite uma cor específica no cérebro de Lucy. O número dois, por exemplo, para ela é representado por um tom de amarelo. “Desvendo os códigos do tempo, encontrando as cores de cada número através de seus olhos. O tempo e as cores são os dois fatores variáveis e necessários para desvendar essa equação”, explica o artista.

A combinação precisa entre a pigmentação e a geometria presente nos trabalhos de Synesthisia cria perspectivas incomuns e confundem o espectador com jogos de ilusão de ótica, em uma referência direta ao movimento cinético dos anos 50. Com a técnica adotada pelo artista, as telas ganham volume, aparentando ter incrustadas, em sua superfície, dezenas de chapas de vidro multicolorido que caminham em direção ao observador.

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