Daniel Feingold | Museu Vale

Para compreender Feingold é preciso liberar o olhar para a força dos traços, tramas, linhas, curvas, jatos de cor, movimento e sombras que compõem as 61 obras da mostra, dividida em seis ambientes. O percurso se inicia com a Série Homenagem ao Retângulo, primeiro trabalho fotográfico realizado pelo artista, em 2007, no Jardin des Plantes, em Paris. As imagens em preto e branco de árvores secas podadas em ângulos retos compõem abstrações geométricas que se confundem com algumas de suas pinturas. – O pensar fotográfico de Feingold é o mesmo pensar pictórico – revela a curadora.
No grande pavilhão do galpão expositivo, a potência da pintura de Feingold será apresentada em 21 trabalhos de grande escala, divididos em cinco séries. A primeira delas é Espaço Empenado, com obras de 2002 e 2003. Os trabalhos dessa série, cujos traços provocam uma espécie de transtorno visual, dialogam com as fotografias da sala anterior, num jogo de luz e sobras que combina um vigor exclusivamente pictórico à uma forma da gestualidade contemporânea e universal. Um dos destaques é o tríptico Grid# 02 que foi apresentado na 5ª Bienal do Mercosul.
A série Banda Larga – incorporada à mostra especialmente para o Museu Vale – apresenta telas com inúmeras variáveis de curvas em movimento acelerado. Elas derivam das pranchas de surfe que, durante anos, o artista desenhava e construía profissionalmente. Dois especiais destaques compõem esse segmento: O Glorioso (2008) e Voodoo-Woman. Nessas obras, os elementos geométricos e a abstração gestual atuam vigorosamente para a consolidação de suas conquistas no campo pictórico com suas superfícies cromáticas, luminosas e vibrantes.
Nos dois ambientes seguintes encontram-se as obras da série Estrutura (Verticais e Horizontais), com traços retos numa superposição de linhas onde a ideia de um certo cromatismo torna-se mais acentuada e nota-se, ao longe, referência ao “Broadway Boogie-Woogie” de Mondrian. – O neoplasticismo é uma fonte inesgotável de pensamento, especialmente quando o mundo está enfrentando questões como deslocamento e espaço – justifica Feingold, cuja formação de arquiteto permite que o pintor pense a arte como uma questão não isolada da arquitetura e do design. Nessa série destaca-se a maior obra da exposição, Estrutura#15, um tríptico (130cm x 540cm) produzido especialmente para o Museu Vale.

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