Cristina Canale | Galeria Nara Roesler

Desde a sua última exposição na Galeria Nara Roesler SP, Sem palavras, em 2011, uma das mais importantes pintoras contemporâneas brasileiras, egressa da conhecida Geração 80, começou a se interessar pelo universo feminino que, aos poucos, acabou tomando conta de sua produção. Geralmente baseadas em cenas do cotidiano, suas obras resultam de um elaborado trabalho de composição com massas de cor, destacando-se por transitar entre a figuração e a abstração, abrindo possibilidades para o imaginário subjetivo do espectador.

Nesta exposição, Canale traz como eixo uma série de pinturas de cabeças femininas no formato clássico de portrait. Em torno desta narrativa, desdobram-se outras obras em que são representados fragmentos de figuras humanas, partes do corpo e gestos cotidianos. Descoladas de sua totalidade e isoladas, estas partes adquirem, uma outra dimensão.

Em contraponto ao conjunto formado por retratos e referências ao corpo humano, a artista apresenta uma grande tela (2x3m) de uma cadeira solitária em uma paisagem abstrata. Segundo a pintora, trata-se de um objeto cotidiano que remete à feminilidade e faz lembrar as mulheres sentadas de Giacometti. “Tenho a impressão de que todas estas obras giram em torno da dicotomia entre presença e ausência”, afirma Canale.

Cristina Canale, bem como os principais nomes de sua geração, surgiu no circuito de arte a partir de sua participação na emblemática coletiva Como vai você, Geração 80?, realizada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV Parque Lage), Rio de Janeiro, em 1984. Como muitos de seus colegas, sua produção inicial denota a influência da nova pintura internacional, principalmente a tendência do neoexpressionismo alemão. Carregadas de elementos visuais e volume de tinta, suas primeiras pinturas apresentam um caráter matérico, distinguindo-se pelo uso intuitivo de cores contrastantes e vivas que é notável em suas obras até hoje. No começo da década de 1990, Canale mudou-se para a Alemanha, estudando em Düsseldorf sob orientação do artista conceitual holandês Jan Dibbets. Suas composições passam a adquirir espacialidade, com a sugestão de planos e profundidades, e maior fluidez no uso das cores.

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