Corpo Articulado | Verve Galeria

A Verve Galeria inaugura a coletiva “Corpo Articulado”, com obras de Farnese de Andrade, Luciano Zanette, Nazareth Pacheco e Nelly Gutmacher, sob curadoria de Marcus de Lontra Costa. Composta por 30 trabalhos em técnicas variadas – assemblage, colagem, escultura, fotografia, instalação e pintura -, a mostra busca estabelecer diálogos entre as produções desses artistas de gerações distintas, tomando o corpo como temática e ponto de partida.

Nesta nova mostra da Verve Galeria, Farnese de Andrade é o “artista das tensões, das tristezas, das instâncias prisioneiras do ser”, como define Marcus de Lontra Costa. Suas peças transpassam o campo das incertezas e despertando no espectador um curioso sentimento que dialoga com o desejo, a dor e a alegria. “Eles são fragmentos de um corpo que se reorganiza diante do nosso olhar”, comenta.

Nelly Gutmacher é herdeira direta dessa alma “farnesiana”, vista e interpretada pela sensibilidade feminina, onde a sensualidade se revela e se esconde, reino hermafrodita dos prazeres e pavores. Esse corpo articulado e fragmentado apenas se insinua no trabalho de Nazareth Pacheco – cujas esculturas e instalações exploram o corpo feminino e suas transformações, com aspectos plásticos e simbólicos potentes, que criam no espectador sentimentos contraditórios como a fascinação e a repulsa. Em seu trabalho, o corpo perpassa a produção da artista como o vento cruza o espaço, ele assovia, se insinua, fala e revela tempos, momentos, crônicas de vida, químicas, histórias, tratamentos, superações, testemunhas.

A dor e a contundência das intimidades do corpo assume um contexto coletivo e social nas precisas estruturas de Luciano Zanette, nas quais a violência reflete as agressões que o corpo humano sofre ao longo do tempo provocado pela ignorância e pelo desrespeito à diversidade. “Quatro vozes, quatro momentos, quatro faces de um quadrado imperfeito e mágico no qual o corpo se debate e tenta respirar diante do silêncio e da tragédia existencial do homem ressignificada pela potência regeneradora da ação artística”, conclui o curador.

Compartilhar: