Concrescer | Parque das Ruínas

Concrescer é uma exposição inspirada na poesia concreta brasileira e apresenta nove obras (objetos e instalações) criadas entre 1983 e 2017, pelos artistas Francisco Zorzete e Jorge Bassani, a partir da leitura e da reinterpretação plástico-espacial de poemas concretistas da primeira fase – na passagem dos 1950 para 1960. A exposição, inédita no Rio de Janeiro, será ambientada no Parque das Ruínas, em Santa Teresa, a partir do dia 10 de novembro.

A exposição mostra que, apesar da revolução digital que derrubou todos os limites entre códigos e linguagens, a experiência poética é sempre sensorial, corporal. A espacialização dos poemas em sua concretude conduz a outras condições de experimentação da poesia, preservando muitos de seus atributos semânticos e gráficos, mas propondo novas formas de percepção e leituras.

No Centro Cultural Parque das Ruinas serão expostas as obras: Concretus (poema de Pedro Xisto), Cheio/Vazio (poema de Pedro Xisto), Velocidade (poema de Ronaldo Azeredo), Infinito (poema de Pedro Xisto), LIFE (poema de Décio Pignatari), Gravidade Zero (poema de Pedro Xisto), Forma (poema de José Lino Grünewald) e Bola Azul (poema de Pedro Xisto) e a Rosa Doente (poema de Willian Blake, traduzido por Augusto de Campos).

A pesquisa que originou essas obras recebeu o nome de Transcodificações, cujo título surgiu da ideia de tradução para códigos diferentes – no caso, do verbal gráfico (a palavra escrita e toda a superestrutura sintática e léxica) para o puramente visual (cores e formas sem relação mimética com o pressuposto semântico). “Desde o início, contamos com a colaboração e a orientação valiosíssima de Augusto de Campos e Júlio Plaza, além de muitas outras grandes personalidades da poesia concreta, como Décio Pignatari, Haroldo de Campos, Ronaldo Azeredo e Pedro Xisto”, explicam os artistas Jorge Bassani e Francisco Zorzete. “Todos generosamente nos receberam e se dispuseram a longos debates sobre a intrínseca relação de suas obras poéticas com a visualidade da folha impressa.”

Os anos 1980 foram uma espécie de “ponto de ruptura” do eletromecânico para o digital. Ou seja, Bassani e Zorzete iniciaram sua produção experimental no vórtice da mais profunda revolução nos meios de produção, de reprodução e de operacionalização das linguagens. “A poesia concreta não apenas atravessou todo esse vendaval com um status inabalado de experiência profunda, como foi alçada a patamares mais elevados em suas perspectivas visionárias da operação poesia + vida urbana + tecnologia da informação + cultura pop + explosão midiática dos signos”, ressaltam.  Os artistas acreditam que, no mundo de hoje, esta pesquisa contribui para esse debate, mas não se restringe aos poemas. A releitura propõe, também, novos olhares sobre a enorme importância de artistas como Julio Plaza, no sentido de expandir e explodir os limites semânticos e formais do signo. “Mais do que uma referência fundamental para nossa pesquisa, foi do contato com conceitos de tradução intersemiótica, especialmente a partir de Roman Jakobson, que ela de fato tomou corpo”, contam.

Concrescer que tem a produção executiva de Mariana Várzea, da Inspirações Ilimitadas Projetos Culturais, foi realizada em São Paulo, no Centro Cultural Casa das Rosas, em novembro de 2017, com grande sucesso de público.

 

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