Coleção Joaquim Paiva | MAM Rio

Ossos, pedras, ferramentas, caixas de remédios, retratos e objetos do ateliê. Valendo-se destes elementos, o artista paulista Mauricio Parra vem refletindo através de sua obra, desde 2013, sobre o corpo e suas limitações. Na exposição que abre em 14 de junho na Galeria Mezanino, intitulada A Ausência é um Estar em Mim, apresenta sua poética a respeito de organismos vivos atravessados pelo tempo em 100 obras de pequenas dimensões realizadas em diferentes técnicas: serão 59 pinturas, 30 aquarelas e 13 gravuras em metal.

“A pintura, gravura ou o desenho são para mim formas mais concretas de gravar na memória, de me localizar. Vejo o conjunto dessas obras quase como um autorretrato. É nele, no trabalho, que me encontro e tento buscar sentido”, diz o artista. O título da mostra é um verso do poema Ausência, de Carlos Drummond de Andrade, no qual o poeta fala de uma falta como parte integrante do ser humano. Para Mariana Coggiola, co-curadora da exposição ao lado de Claudinei Roberto, “o homem não é livre por possuir um corpo. A perspectiva de falência do corpo do artista sugere aqui um caminho de emancipação. As imagens de Mauricio são seus pontos de contato consigo, o inventário de sua estância, sua memória envernizada. A consciência da finitude é pulsão de vida.”

A técnica de Parra faz reverência à história da pintura: ele utiliza a técnica do bolo armênio – argila diluída em cola de pele de coelho – na preparação do suporte que vai receber a pintura; isto faz com que suas telas adquiram um fundo cor-de-terra, emprestando tons quentes para o trabalho. As peças de madeira que usa como suporte, muitas vezes encontradas em caçambas nas ruas, não se anulam com a pintura – se fazem presentes, como objetos vivos, alterando o resultado final.

Os trabalhos em exibição começaram a ser produzidos há três anos, quando o pintor voltou ao Brasil logo apões uma residência na cidade de Gludsted, na Dinamarca. Era sua primeira viagem para o exterior. Ao chegar no destino e descarregar sua bagagem, percebeu que metade de uma das malas estava tomada por caixas de remédio – arrumadas lado a lado, as embalagens formavam uma composição tonal que ativou a sensibilidade de Parra. “O que eu vi, abrindo aquela mala, não foram caixas de remédios, mas, sim, uma experiência cromática”, afirma o artista.

Três anos mais tarde, o que o público verá na galeria é um conjunto significativo do corpo de sua obra.

AS INFORMAÇÕES DA AGENDA SÃO DE RESPONSABILIDADE DOS MUSEUS, GALERIAS E ASSESSORIAS DE IMPRENSA E NÃO REPRESENTAM A OPINIÃO DA DASARTES.

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