Colapso e Panapanã | Galeria Athena

No dia 18 de junho, a Galeria Athena inaugura as exposições “Colapso”, coletiva com curadoria do artista Rodrigo Bivar (Brasília, 1981. Vive e trabalha em São Paulo), e “Panapanã”, individual do artista português Tomás Cunha Ferreira (Lisboa, 1973. Vive e trabalha em Lisboa), que faz sua primeira exposição no Brasil. Em comum, as duas mostras pensam a pintura e o desenho de forma ampliada, em obras que não necessariamente utilizam tinta e lápis, mas que partem da lógica da pintura para construir uma narrativa. Os trabalhos são inéditos, em sua maioria, ou recentes e poucos vistos.

Na sala II, estará a coletiva “Colapso”, com obras de Ana Prata (Sete Lagoas, MG, 1980. Vive e trabalha em São Paulo), Bruno Dunley (Petrópolis, RJ, 1984. Vive e trabalha em São Paulo), Cabelo (Cachoeira de Itapemirim, ES, 1967. Vive e trabalha no Rio de Janeiro), Débora Bolsoni (Rio de Janeiro, 1975. Vive e trabalha em São Paulo), Leda Catunda (São Paulo, 1961. Vive e trabalha em São Paulo), Paulo Whitaker (São Paulo, 1958. Vive e trabalha em São Paulo), Rafael Alonso (Niterói, 1983. Vive e trabalha no Rio de Janeiro) e Rodrigo Andrade (São Paulo, 1962. Vive e trabalha em São Paulo), com curadoria do também artista Rodrigo Bivar.

Na sala I, será apresentada, pela primeira vez no Brasil, a obra do artista visual português Tomás Cunha Ferreira (que também é músico), na exposição “Panapanã”, que terá obras inéditas, produzidas este ano, que, assim como na mostra “Colapso”, utilizam a lógica da pintura. No dia da abertura, Tomás Cunha Ferreira fará uma performance com os músicos brasileiros Domenico Lancellotti e Pedro Sá.

COLAPSO
“Colapso” é uma coletiva que propõe uma reflexão a partir da pintura e desenho, que traz quatro artistas da geração dos anos 1980 – Cabelo, Leda Catunda, Paulo Whitaker e Rodrigo Andrade – e quatro artistas de uma geração mais nova – Ana Prata, Bruno Dunley, Debora Bolsoni e Rafael Alonso. “São formas de se pensar a pintura e o desenho através da obra de oito artistas”, afirma o curador Rodrigo Bivar, que escolheu o assunto por ter familiaridade, por concentrar sua pesquisa nessas técnicas, selecionando artistas que o ajudam a pensar a pintura e o seu próprio trabalho. “Sou artista, e resolvo minhas questões pelo aspecto visual e teórico. E é isso que quis mostrar nesta minha curadoria, uma curadoria através da visão dos artistas”, diz Rodrigo Bivar.

Os trabalhos apresentados não são necessariamente pinturas e desenhos, mas obras que pensam sobre esse aspecto. “Embora a Leda Catunda vá mostrar uma colagem, ela é uma artista que todo o trabalho se desenvolve a partir da pintura”, afirma o curador. Já Rodrigo de Andrade, Bruno Dunley, Ana Prata e Paulo Whitaker trabalham a pintura como seu principal meio. Rafael Alonso pensa a prática e, principalmente, a forma como mostra suas pinturas, como algo instalativo. Já Débora Bolsoni e Cabelo são artistas cuja pintura não é seu principal meio de expressão, mas em suas obras têm muito do pensamento sobre desenho.

O nome da exposição se relaciona com o momento político delicado em que vive o país. “Colapso, vem da ideia de que, apesar do momento calamitoso em que vivemos, os artistas continuam fazendo arte, fazendo o que acreditam”, diz o curador Rodrigo Bivar. Além disso, também parte da ideia de que os trabalhos da exposição, apesar de usarem a técnica da pintura e do desenho, não necessariamente dialogam entre si. “Existe muitas diferenças entre eles, entre os trabalhos e entre as pesquisas”, ressalta.

PANAPANÃ
Na sala I da galeria estará a exposição individual “Panapanã”, do artista visual e músico português Tomás Cunha Ferreira, que nasceu em Lisboa, mas morou no Brasil quando criança. Apesar de o artista ter uma forte relação com o país, tendo realizado, como músico, diversas parcerias com músicos brasileiros, seu trabalho visual será apresentado pela primeira vez no país nesta exposição.

Na mostra, estarão cerca de 12 obras, sendo a maioria delas em tecidos, sobre os quais o artista propõe interferências, utilizando a lógica da pintura. Em algumas, ele introduz elementos como acrílico e arame, e também faz pequenas intervenções em tinta a óleo, aquarela e costuras. “Jogo com os elementos pictóricos, sem me preocupar se estou usando o pincel ou não. Às vezes uso a máquina de costura como pincel”, diz o artista.

As obras feitas com os tecidos são presas por pregos apenas na parte de cima, deixando-os ligeiramente soltos, com movimento quando bate um vento, por exemplo. Os panos utilizados também são diversos, alguns bem leves, com diferentes espessuras, com caimentos diferentes e relevos. “O trabalho não está fixo, emoldurado. É um corpo, que não é só uma superfície pintada, tem espessura”, ressalta o artista. O nome da exposição, “Panapanã”, significa coletivo de borboleta em Tupi Guarani, e vem da ideia de movimento desses panos.

Neles, há marcas propositais de dobras, que formam pequenos relevos. O contorno não é regular: algumas quinas são abauladas e outras mais pontudas. “Desdobro os panos como se fossem um mapa e os vincos fazem parte da pintura. O que me interessa é o aspecto físico. As margens, por exemplo, não são retas, possuem formas diferentes”, conta o artista, que mostrará alguns panos abertos e outros dobrados.

Além dos panos, haverá três colagens em papel, em que o artista utiliza letras e cores, que servem de base para as músicas de Tomás, como se fossem partituras, em que ele utiliza o som das letras e as cores. “Não é nem pintura nem poesia, não uso verso nem pincel, é entre os dois, mas usando elementos de ambos. Gosto de estar entre as coisas, entre a música e a pintura”, afirma o artista. Haverá, ainda, um vídeo em looping, que mostra essas obras em papel com diferentes cores, letras e formas.

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