Códice – do risco ao risco

Mostra reúne obras inéditas dos artistas mineiros Amilcar de Castro, Thaïs Helt e Marco Tulio Resende.

A exposição “Códice – do risco ao risco” acontece no Museu Vale (Vila Velha, Espírito Santo), de 22 de maio a 30 de agosto de 2015. A mostra está articulada em torno de 200 trabalhos e pesquisas que envolvem o conceito do desenho e da escrita na obra de três artistas plásticos mineiros: Amilcar de Castro (1920-2002), Thaïs Helt e Marco Tulio Resende.

A exposição é dividida em três galerias de 300 metros quadrados cada. A primeira expõe obras de Amilcar de Castro, a segunda é montada com trabalhos de Marco Tulio Resende e a terceira, com os de Thaïs Helt. No final dos anos 70 e começo da década de 80, Amilcar de Castro foi professor dos dois artistas na Escola Guignard, em Belo Horizonte, e acabou convivendo muito com ambos. “Dele, guardo a lembrança de rigor na análise das questões plásticas como ponto, forma, volume, composição, etc.”, conta Marco Tulio Resende.

No entanto, não se trata de uma exposição de professor e alunos, e, sim, uma mostra que reúne os três artistas e como eles produzem e conceituam seus trabalhos. A exposição não revela apenas a obra pronta, mas todo processo de criação e desenvolvimento que envolve a realização e a produção de trabalhos de arte, como os desenhos, as anotações, os projetos, as pesquisas, os esboços e as escritas, sempre presentes no trabalho dos três artistas. Conforme explica Ronaldo Barbosa, diretor do Museu Vale, “a exposição Códice traz um interessante diálogo de natureza gráfica entre estes três artistas, cuja convivência num passado recente se apresenta refletido no fio condutor da mostra, através da escrita poética de cada um”.

O conceito da exposição está contido no título da mostra, que se baseia no significado da palavra CODICE ou códex – livro em latim -, como, por exemplo, nos códices de Leonardo Da Vinci. O subtítulo, “do risco ao risco”, indica o ato de riscar e também a ousadia de arriscar, revelando o desejo de desvendar os processos criativos e de construção dos trabalhos, assim como, as buscas, as dúvidas e os questionamentos de cada um dos artistas.

O desenvolvimento do conceito da exposição foi realizado pelos próprios artistas, Thaïs Helt e Marco Tulio Resende, e pelo curador das obras de Amilcar de Castro, o arquiteto mineiro Allen Roscoe.

Nos 300 metros quadrados da sala expositiva reservada a Amilcar de Castro serão expostas anotações inéditas de sua autoria e matrizes de gravuras e esculturas. Na sala de Marco Tulio Resende serão montadas uma instalação com cerca de 36 livros, notas e desenhos em grandes formatos pendurados no teto e seis telas de 5 x 2 metros cada. Na sala destinada às obras de Thaïs Helt serão exibidas uma grande estante com livros, uma série de litogravuras em grandes formatos em técnica mista com desenho e pop-up books com imagens recortadas e em relevo.

“A escrita e a natureza gráfica do trabalho de Marco Tulio e Thaïs Helt são o fio condutor a se relacionar com os poemas e as obras de Amilcar de Castro. Trata-se de uma interessante exposição onde estes artistas guiados pelo seu mestre Amilcar dialogam num espaço criado para a mostra”, resume Ronaldo Barbosa.

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