Cláu Paranhos e Leandro Selister | Galeria do Espaço IAB

Partindo de poéticas semelhantes e ao mesmo tempo bastante distintas, os artistas Cláu Paranhos e Leandro Selister têm em comum a criação de bonecos. Sejam eles costurados de forma desordenada remetendo à ancestralidade e sustentabilidade ou criados a partir de uma cultura contemporânea robótica pop, por imitarem seres (pessoas, animais, híbridos ou robôs) bonecos são brinquedos emocionais, que convidam à introspecção, lugar onde exercitamos o próprio cuidado de si e do outro. Brincar é a primeira relação da criança com o mundo. O brincar aproxima e facilita contato e relações, à medida que desarma as pessoas e torna leve a abordagem de assuntos complexos.

A ideia da exposição surgiu das afinidades no trabalho e na vida, como o bom-humor, o afeto, a brincadeira. “Já havíamos trabalhado juntos em outros momentos e nos divertido muito com isso. Também temos em comum que ambos colecionamos brinquedos e, em um determinado momento, criamos os nossos próprios: as Bonecas Feias e a coleção Um Amor de Robô”, comentam Cláu e Leandro.

O brincar é uma necessidade dos dois artistas, na vida e na arte. Durante a pesquisa no sentido de compreenderem essa necessidade, descobriram o quanto o brincar é poderoso e libertador na vida adulta, sendo inclusive comprovado cientificamente. “Percebemos, ainda, o quanto a brincadeira é confundida com a falta de seriedade quando, na verdade, o não-brincar não torna as pessoas mais sérias, e sim, mais tristes”.  E foi justamente a tensão dos tempos atuais que os fez compreender que a brincadeira também pode ser vista como um antídoto para tempos tão difíceis e ambíguos. “Para nós, a arte é uma forma de acessar esse universo e, então, trazemos essa provocação ao público: afinal, por que deixamos de brincar quando crescemos?”, questionam.

Cláu Paranhos e Leandro Selister trazem, em suas poéticas, o lúdico e o brincar pelo viés da arte e, especialmente para a Galeria Espaço do IAB, dialogam entre si com as diferenças e semelhanças, produzindo uma ambientação com resultado estético singular e curioso que convida o público a imergir num universo lúdico, refletir e reinventar a própria subjetividade nesta complexa e (por que não?) divertida experiência da existência.
Para a abertura da Exposição Brincar é coisa séria, no dia 8 de agosto, às 19 horas, a dupla convidará o público a comparecer vestido à fantasia e, assim, participar de uma situação artística única e inusitada certamente inesquecível como a arte deve ser.
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