Cidades e outras passagens – Caminhos de uma residência em arte digital | Casa Fiat de Cultura

Os artistas que antes ocupavam o espaço de criação da Residência Artística em Arte Digital da Casa Fiat de Cultura, agora vão ocupar a Piccola Galleria e o Videowall do hall principal para apresentar os processos e resultados da jornada colaborativa na exposição “Cidades e outras passagens na Casa Fiat de Cultura – Caminhos de uma residência em arte digital”. O público poderá conferir três instalações e quatro videoartes realizados durante três semanas de imersão em projetos que buscavam relacionar a cidade de Belo Horizonte ao painel de Candido Portinari “Civilização Mineira” (1959) – que retrata a mudança da capital mineira de Ouro Preto para Belo Horizonte em 1897 e o marco histórico que a Inconfidência Mineira de 1789 representou para o Estado –, acervo da Casa Fiat de Cultura em exposição permanente. A proposta era criar obras com foco na transformação da experiência do público visitante, inserindo-o em uma realidade híbrida: material e virtual. Os artistas da mostra são Alexandre Milagres, Augusto Lara, Fabrício Lins, Flávio CRO, Guilherme Xavier, Letícia Vianna, Mari Moraga e Thiago Amoreira e a curadoria é de Pablo Gobira, professor da Escola Guignard, pesquisador das relações entre arte, ciência e tecnologia e diretor do Laboratório de Poéticas Fronteiriças do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Artistas e curador participarão de um bate-papo no dia 5 de julho, na Casa Fiat de Cultura, das 19h30 às 21h (espaço sujeito à lotação). A exposição da Residência Artística é resultado da parceria com a CASACOR, que projetou o espaço de criação dos artistas, e com o Isvor Fab Lab, que colaborou no desenvolvimento das obras digitais. Toda a programação é gratuita.

O título da exposição remete aos caminhos trilhados pelos artistas para falar dessas duas cidades, Ouro Preto e Belo Horizonte. Caminhos em sentido amplo: artísticos, técnicos, político-sociais e até geográficos. Os locais visitados se misturam entre o passado, na antiga capital mineira, e o presente, na cidade de BH, e se encontram no painel de Portinari.

O processo da Residência Artística teve concepção e coordenação do Programa Educativo da Casa Fiat de Cultura, com coordenação de Clarita Gonzaga e orientação de Taiane Costa, no qual a produção colaborativa foi uma metodologia essencial. A obra “De Portinari em Portinari BH”, por exemplo, era um projeto de Flávio CRO, mestre em Artes pela Escola Guignard, que ganhou nova configuração com a intervenção de Letícia Vianna, graduanda em Design na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), que assinou a co-autoria da obra. Juntos eles apresentam uma videoarte com o trajeto, feito de bicicleta, da Casa Fiat de Cultura em direção aos diversos “Portinaris” que existem na cidade de Belo Horizonte, não apenas outras pinturas, mas também estabelecimentos comerciais e até uma rua com o nome do artista. “A medida que convivemos com outros artistas, o projeto vai ganhando novas dimensões. A Letícia Vianna se tornou uma parte importante do meu projeto, pois me fez repensar a apropriação que eu estava fazendo do mapa da cidade. Costumo trabalhar com uma apropriação ‘nua e crua’, sem modificar as imagens, e ela agregou mais arte ao meu projeto na edição do vídeo: desenhou, recriou os percursos e utilizou as cores do painel de Portinari”, comenta Flávio CRO.

As obras

  • “De Portinari em Portinari BH”, de Flávio CRO e Letícia Vianna: vídeo que apresenta o trajeto, feito de bicicleta, da Casa Fiat de Cultura em direção aos diversos “Portinaris” que existem na cidade de BH, não apenas outras pinturas, mas também estabelecimentos comerciais e até uma rua com o nome do artista.
  • “Interface Preta”, de Thiago Amoreira e Fabrício Lins: instalação interativa que permite uma experiência sensorial, tátil e auditiva, do conceito de mudança e contraste do painel de Portinari, com elementos que remetem ora a Ouro Preto, ora a BH.
  • “Portinari Aumentado”, de Augusto Lara e Thiago Amoreira: instalação interativa de realidade aumentada do painel que permite ao público visualizá-lo em profundidade por meio de um aplicativo para dispositivos móveis. Foi realizada com a utilização de técnicas tridimensionais, pintura e colagem digital.
  • “Mais do mesmo”, de Fabrício Lins: instalação sonora criada a partir de registros sonoros da cidade de Ouro Preto no período da Inconfidência Mineira (1789) e de BH (2018) que sugerem a curiosa similaridade entre os dois espaços e épocas tão diferentes.
  • “Ponto em Pixel”, de Guilherme Xavier: animação 2D em pixel art que apresenta pontos não-turísticos de Belo Horizonte, mas que fazem parte do cotidiano dos moradores da cidade e que, dessa forma, contribuem de forma significativa para a identidade da capital mineira.
  • “Mineiras”, de Mari Moraga: vídeo que apresenta entrevistas com mulheres imigrantes em BH, tendo também a cidade como personagem, mostrando prédios representativos do glamour e progresso urbano em contraponto com espaços abandonados e deteriorados que também fazem parte da capital mineira.
  • “Extrações”, de Alexandre Milagres e Fabrício Lins: vídeo que une uma foto e os dados extraídos das redes sociais do artista e cria uma nova imagem dele reinserida em uma estética que remete a um mapa topográfico de uma cidade.
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