Célia Euvaldo e Elizabeth Jobim | Galeria Raquel Arnaud

A exposição de pinturas de Célia Euvaldo na Galeria Raquel Arnaud, com curadoria de Ronaldo Brito, se destaca pela presença de cores abertas e vibrantes em contraste com os habituais pretos e brancos. As grandes telas apresentam esse diálogo inédito com o rigor de sempre: cada uma delas se resolve na simultaneidade entre intenção e ação, sem recorrer a padrões pré-estabelecidos. Segundo Ronaldo Brito, que assina o texto da exposição, a introdução de vermelhos, amarelos e azuis – que chegaram de dentro para fora, sem compromissos extrínsecos – parece dar a cada quadro um tônus vital inconfundível, um temperamento distinto.

As cerca de 10 telas inéditas, em grandes formatos, reunidas na exposição, dão continuidade ao processo desenvolvido por Euvaldo na Oficina Mul.ti.plo, no Vale das Videiras, em Petrópolis (RJ), no ano passado. Registrado pelas lentes do diretor e fotógrafo Walter Carvalho, o site specifc pictórico – a artista pintou diretamente nas paredes do espaço – trazia o início da experiência com outras cores, inseridas no seu preto e branco de reconhecida fatura.

Para o curador, assim como ocorre com o preto marfim, também as cores abertas não destilam uma química de pintura, empenhadas em revelar a identidade única deste violeta, desse laranja ou daquele azul. “Elas irrompem no quadro, resolutas, instintivamente misturadas e diluídas. A sabedoria consiste em achar sua “temperatura”, o grau de intensidade que as confronte e aproxime aos pretos e brancos com os quais se estranham e convivem. Muito menos funcionariam como sinais gráficos, nítidos, positivos, a guiar um processo formal, de antemão, seguro de si. Pelo contrário, como prova sua fatura rápida e líquida, em tudo oposta ao preto matérico, castigado de ranhuras, elas introduzem uma descontinuidade flagrante nessas telas que, justo porque sustentam uma forma instável – não cedem, enfim, a uma prévia harmonia – se mostram tão íntegras”, completa Ronaldo Brito.

 

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