Casa Parte

A Parte Feira de Arte Contemporânea, que acontece anualmente em São Paulo desde 2011, apresenta seu novo projeto, a Casa Parte.

Serão três exposições sucessivas, com recortes específicos:

23 a 26/5 – Galerias e escritórios de arte convidam arquitetos e designers

30/5 a 2/6 – Lado B: Espaços independentes, ateliês coletivos, grupos autogeridos de artistas

6 a 9/6 – Arte popular e arte urbana

Em comum, o espaço: um casarão da década de 1970 em plena Av. Europa, em frente ao MuBE e ao MIS. Desocupado há mais de dez anos, a casa recebe obras, artistas, galerias, curadores e uma programação intensa de palestras, filmes, apresentações de dança, performances, etc.

O novo projeto é motivado pelas rápidas e intensas mudanças atravessadas pelo mercado de arte nos últimos anos.  “Os modelos tradicionais têm sido superados e não funcionam para um número cada vez maior de pessoas, e novas conformações estão surgindo em alta velocidade. Em sua maioria, são sistemas colaborativos e dinâmicos. O exemplo mais evidente é o crescimento de estruturas independentes, como ateliês coletivos, pequenos centros culturais, grupos de estudos e de troca de experiências e de conhecimento. Mas há outros. As próprias galerias têm proposto novas formas de relação com artistas, público e seu entorno. A Casa Parte será um espaço para entrar em contato com essas novas possibilidades”, explica Tamara Perlman, diretora da Parte Produções Culturais.

Nas exposições, cada participante ocupará um cômodo da casa com projetos que não seriam possíveis em uma feira de arte tradicional ou nos espaços das próprias galerias. Nada de stand atrás de stand, “cubo branco” e pureza. A Casa Parte é uma experiência multicultural.

 

Primeiro período – 23 a 26 de maio – Galerias e escritórios de arte

Na exposição que inaugura a Casa Parte, galerias e escritórios de arte apresentam projetos e obras que, em sua maioria, se completam com a participação do público. E, por se tratar de uma casa, designers de mobiliário e de interiores foram convidados para colaborar com a montagem dos cômodos.

A Lume Galeria ocupará um antigo dormitório onde uma claraboia permite avistar o céu. Lá, instalará os trabalhos mais recentes de Kilian Glasner, da série Corpos Celestes, que explora imagens do Universo.

A Verve apresentará obras em várias linguagens de Angella Conte, Eduarda Freire, Élle de Bernardini, Giselle Beiguelman, Luisa Malzoni, Lyz Parayzo, Thais Ueda e Vladimila Veiga para. Os trabalhos estarão ainda em diálogo com três raros desenhos a lápis de Tarsila do Amaral. Instalada numa sala íntima, com lareira e biblioteca, os desenhos são  estudos que revelam o universo muito particular e íntimo de Tarsila.

De Curitiba, onde tem movimentado a cena de arte, a SOMA Galeria traz pinturas de Willian Santos e neons de Alê Mazzarolo, em espaço recriado em parceria com a Oslo Design. Santos participou, entre muitas outras mostras, da polêmica Queermuseu, no Santander Cultural em Porto Alegre-RS. Mazzarolo tem feito diversas exposições pelo país, com trabalhos que exploram as relações entre luz e cor, simetria e espaço. O artista participou da última edição da Bienal de Curitiba.

Alessandra Rehder, artista que divide seu tempo entre São Paulo, Paris e Londres, ocupará uma sala integrada ao jardim.  A artista realizará um trabalho em conjunto com o público, encorajando as pessoas a preencher galhos vazios de uma árvore com folhas de plantas de diversos continentes. O processo nos faz refletir sobre a responsabilidade individual e o poder da colaboração para solucionar problemas que seriam impossíveis para uma pessoa só, como o desmatamento, tema recorrente de seus trabalhos.

No jardim em frente, onde algum dia houve uma piscina, Hugo França instala escultura de 4 metros de altura. Feita a partir do tronco de uma única árvore que estaria condenada naturalmente, a madeira ganha nova vida nas mãos do artista.

A galeria CASANOVA apresentará painel criado por Alice Quaresma especialmente para o projeto. Brasileira radicada em Nova York, a artista coleciona prêmios e convites internacionais – como o prestigioso Foam Talent Prize e participação especial na Spring/Break NY 2019.

A Oma Galeria leva para a Casa Parte aquarelas de Bruno Novaes, que expõe simultaneamente “O professor deverá ser o último a se retirar, mesmo nos dias de chuva”, no Paço das Artes (MIS), bem em frente à Casa Parte.

 

Segundo período – 30 de maio a 2 de junho – Lado B: Espaços independentes, ateliês coletivos, grupos autogeridos e afins

Participam do Lado B estruturas independentes formadas e geridas por artistas, curadores e produtores culturais.

O Marieta leva para a Casa Parte a intensa programação que costuma realizar em sua sede, na R. Dona Maria Paula, no centro de São Paulo. O espaço, que funciona como centro cultural e local de trabalho para profissionais independentes do mercado cultural, levará para a Casa Parte um cineclube, shows, palestras e exposição de artistas residentes, tendo como temas centrais: Ecologia, Negritude, Sons da Cidade e Espaços Urbanos.

O Grupo Aluga-se expões instalações de seus artistas e apresenta três performances inéditas da Cia Nuvem, construídas a partir da nova obra a instalação de Duda Oliveira,  “Glorificação”. Na Casa Parte, os visitantes também terão a oportunidade de ver – e adquirir – trabalhos de Evandro Prado, que estará expondo simultaneamente no Programa de Exposições de CCSP – Centro Cultural São Paulo.

O VÃO Espaço Independente de Arte ocupa uma antiga “suíte principal” com obras dos artistas que integram o ateliê e de residentes. No sábado, 1/6, o fotógrafo Ivan Padovani se apresenta com a banda Discoteki no jardim das Casa Parte.

A Galeria Califórnia, conjunto de artistas que mantêm ateliês no clássico edifício de mesmo nome projetado por Oscar Niemeyer e Carlos Lemos, escalou o curador Tarcisio Almeida para fazer um recorte de trabalhos do grupo. O resultado é a mostra “Estratégias de todo dia”, um testemunho do que a troca cotidiana entre artistas pode gerar, da força que colaborações, embates e convivência têm sobre a produção artística.

O Hermes Artes Visuais ocupará o segundo andar da casa com trabalhos dos mais de 50 artistas que integram os grupos de acompanhamento coordenados por Carla Chaim, Nino Cais e Marcelo Amorim.

A Casa Plana, responsável pelo festival de mesmo nome, participa com uma seleção de publicações independentes e lançamentos.

O Grupo Quinto Andar, formado por alunos de Artes Visuais da UNESP e coordenado pela artista e professora Mônica Tinoco, preenche a antiga adega da casa com instalações e uma inusitada ocupação do lavabo.

Participam também Coletivo Átomo, Ateliê Alê, Casa OHMS, Ateliê da Praça e Projeto Rizoma.

 

Terceiro Período – 6 a 9 de junho – Arte popular e arte urbana

A Casa Parte encerra sua programação com um recorte temático, reunindo duas vertentes da arte cada vez mais pesquisadas e, surpreendentemente, próximas: arte popular e arte urbana. Os participantes foram convidados a partir do profissionalismo com que trabalham e da diversidade de suas propostas e experiências.

A Galeria Brasiliana, dirigida por Roberto Rugiero e Fedra Faria, atua há 40 anos no segmento de arte popular. Referência no Brasil e no exterior, seu acervo conta com trabalhos de mais de 50 artistas históricos e peças de procedência indígena, além de mestres e talentos emergentes da pintura, escultura, desenho e xilogravura. Na Casa Parte, a galeria apresenta pinturas de Romero de Andrade, João Francisco, Benedito, Lorenzato e peças das ceramistas Marta e Julia.

Da novíssima geração, Renan Quevedo leva à casa parte do acervo reunido nas muitas andanças pelo seu projeto Novos para Nós. Apaixonado por arte popular, o publicitário deixou emprego e vida em São Paulo e caiu meses na estrada com o objetivo de conhecer, documentar e catalogar artistas populares pelos cantos mais escondidos do Brasil. “São pessoas talentosíssimas, persistentes em meio à tantas dificuldades formais e financeiras, com muito a expressar e nos ensinar. Acredito muito na força da produção artística do povo brasileiro”, diz Renan. Na Casa Parte, ele apresenta trabalhos de mestres – como Véio e José Bezerra – e artistas que conheceu em suas muitas viagens, como Noemisia Batista dos Santos e Vieira.

Na vertente urbana, a Choque Cultural transforma a Casa Parte em lugar de experimentação. Fundada em 2004, a galeria é referência globais em arte urbana e novas linguagens contemporâneas, ultrapassando as paredes da galeria e incluindo rua e espaço virtual em suas exposições. Na Casa Parte, serão mostrados trabalhos recentes de Daniel Melim, Tec, Alê Jordão e Coletivo BijaRi.

O Autivistas, grupo formado pelos artistas Derlon,  Gustavo Amaral, Lelo e Onio, também estará presente. Os artistas trabalham de forma independente dividindo o mesmo ateliê e projetos especiais.

Na programação, live painting, bate-papos e shows.

Ingresso: R$ 20 válido para todo o período e todas as exposições

Meia entrada para estudantes, professores e pessoas acima de 60 anos

Gratuito crianças até 12 anos acompanhadas de responsável

 

Alimentação: café, lanchonete e bar no local

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